03/26/2026 | Press release | Archived content
Nova York, 26 de março de 2026 - O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, destacou o papel essencial da capacidade dos sistemas de saúde locais na prevenção e resposta a pandemias durante sua participação na Terceira Sessão da Série de Diálogos Temáticos sobre Prevenção, Preparação e Resposta a Pandemias (PPPR), realizada nesta quinta-feira (26/3).
A sessão, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Fundação das Nações Unidas, em colaboração com Canadá, Dinamarca, Catar e Serra Leoa, em Nova York, faz parte de um processo global de consultas que orienta os preparativos para a Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre PPPR em 2026.
Dirigindo-se aos Estados Membros e às partes interessadas da saúde global, Barbosa enfatizou uma lição fundamental extraída de décadas de experiência nas Américas: "As pandemias podem ter consequências globais, mas são sempre locais em sua origem, detecção e resposta." Ele ressaltou que "o que acontece, ou deixa de acontecer em nível local determina se um surto é contido" ou se pode ser tornar uma "crise global."
Barbosa destacou que o fortalecimento das capacidades locais - incluindo a força de trabalho em saúde, os sistemas laboratoriais, a vigilância, a prevenção e o controle de infecções, e a atenção primária à saúde - é "fundamental para a segurança da saúde global."
Ao refletir sobre a experiência das Américas, Barbosa observou que a Região enfrentou repetidas emergências em saúde pública, desde H1N1 e Zika até COVID-19, ao mesmo tempo em que se destacou como líder em inovação e resiliência. O diretor da OPAS apontou a combinação de sistemas nacionais mais robustos e de uma cooperação regional eficaz como um fator-chave para a melhoria da preparação. "Essa combinação de capacidade local ancorada na solidariedade regional é o que transforma vulnerabilidade em resiliência", afirmou.
Barbosa citou dados recentes que demonstram o impacto desses investimentos. Somente em 2025, as atividades de inteligência epidemiológica da OPAS analisaram mais de 1,8 milhão de sinais e detectaram 128 novos eventos de saúde pública na América Latina e no Caribe. Esses sistemas permitiram respostas rápidas a ameaças emergentes e reemergentes, como surtos de Oropouche e febre amarela, além de apoiar a continuidade de serviços essenciais de saúde durante crises, inclusive por meio da iniciativa de hospitais inteligentes (SMART) da OPAS.
Barbosa também destacou mecanismos regionais, como os Fundos Rotatórios da OPAS, que fortaleceram as cadeias de suprimentos, ampliaram o acesso a produtos essenciais de saúde e contribuíram para sistemas de saúde mais resilientes nos países das Américas.
Apesar desse progresso, o diretor da OPAS alertou que lacunas significativas de financiamento continuam a comprometer os esforços de preparação global. "Os níveis atuais de investimento, tanto nacionais quanto internacionais, estão longe de ser suficientes para construir sistemas de preparação sustentáveis", afirmou. "Sem investimentos previsíveis e ampliados nas capacidades locais, permaneceremos em um ciclo de crise e resposta."
Barbosa pediu que a Reunião de Alto Nível sobre PPPR de 2026 priorize o investimento sustentado nos sistemas locais, o alinhamento com a atenção primária à saúde e a cobertura universal de saúde, além do fortalecimento da cooperação regional.
"A segurança da saúde global é tão forte quanto o mais frágil dos sistemas locais", concluiu. "Se investirmos em sistemas locais fortes, resilientes e confiáveis, não apenas nos preparamos para a próxima pandemia, mas evitamos que ela se torne uma."