PCdoB - Partido Comunista do Brasil

01/23/2026 | News release | Distributed by Public on 01/23/2026 11:44

Plenária do PCdoB São Paulo vê ofensiva de Trump à América Latina como ameaça global

O atual ciclo de ofensivas - que inclui o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o genocídio em Gaza e a tentativa de domínio sobre a Groenlândia - não é fruto de impulsos isolados, mas de uma estratégia deliberada para conter o declínio da hegemonia dos EUA diante da ascensão da China
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A plenária municipal do PCdoB de São Paulo reuniu mais de 230 militantes nesta quinta-feira (22) para debater "Os ataques de Trump contra a América Latina e o mundo", em um encontro virtual marcado por uma leitura estrutural da crise internacional.

Estiveram presentes os presidentes estadual, Rovilson Britto, e municipal, Alcides Amazonas. A exposição central coube ao secretário nacional de Formação e Propaganda do Partido, Adalberto Monteiro, que situou o cenário global como um período de transições, rupturas e acontecimentos simultâneos, geradores de instabilidade, incerteza e ameaças crescentes à paz.

Monteiro fez uma análise contundente da conjuntura internacional, qualificando o governo de Donald Trump como expressão do "neofascismo" norte-americano. Segundo ele, o atual ciclo de ofensivas - que inclui o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o genocídio em Gaza e a tentativa de domínio sobre a Groenlândia - não é fruto de impulsos isolados, mas de uma estratégia deliberada para conter o declínio da hegemonia dos EUA diante da ascensão da China.

"O trumpismo é neofascismo", afirmou, repetindo a frase para enfatizar que se trata de um projeto político sustentado por bases materiais e ideológicas, com apoio de setores da classe trabalhadora estadunidense e global.

Declínio dos EUA e ascensão multipolar: o mundo em ruptura

Diante do declínio relativo dos EUA, a extrema direita tornou-se o instrumento político para tentar reverter perdas estratégicas, combinando ações militares, sanções econômicas e uma intensa guerra digital conduzida por big techs.

Além dos conflitos armados e do apoio a guerras e intervenções, como no Oriente Médio, Monteiro destacou a dimensão ideológica dessa ofensiva, com o uso das plataformas digitais como ferramentas de dominação e manipulação da opinião pública.

A primeira chave interpretativa apresentada foi a crise estrutural do capitalismo, descrita como um sistema em decadência, incapaz de responder às necessidades sociais e responsável pelo agravamento das desigualdades de classe, gênero e raça. Mesmo em crise, argumentou-se, o capitalismo segue subordinado ao neoliberalismo e à lógica da financeirização, expressa no rentismo global e em políticas de juros elevados.

O dirigente destacou que vivemos não apenas uma transição, mas uma "ruptura histórica" na ordem mundial. Enquanto os EUA recuam em credibilidade - evidenciado pelas fraturas expostas na OTAN durante o Fórum Econômico de Davos -, alianças como os BRICS ampliados e a Iniciativa Cinturão e Rota, com mais de 100 países, constroem alternativas baseadas no multilateralismo e no desenvolvimento compartilhado.

"A última vez que houve mudança de hegemonia foi do Reino Unido para os EUA - dois regimes capitalistas. Agora, o rival é a China socialista. Isso torna a contradição inconciliável", explicou. Nesse contexto, a ofensiva militar, digital e diplomática de Washington visa impedir que o mundo escape ao seu controle unipolar.

China, multipolaridade e o retorno do socialismo ao debate global

O avanço econômico, tecnológico e diplomático da China, assim como de outros países socialistas, foi apresentado como fator de revalorização do socialismo enquanto alternativa concreta ao capitalismo em crise. Iniciativas como a Nova Rota da Seda, a ampliação dos BRICS e parcerias na Ásia, África e América Latina foram caracterizadas como movimentos de resistência ao imperialismo e de promoção do desenvolvimento compartilhado.

Esse contraste, segundo Monteiro, torna-se cada vez mais visível para os povos do mundo: de um lado, a agressividade e o unilateralismo dos Estados Unidos; de outro, a defesa do multilateralismo, da cooperação e da paz por parte da China e seus aliados.

América Latina sob mira: Venezuela como aviso, Brasil como alvo central

A plenária dedicou atenção especial à América Latina, descrita como "zona de domínio absoluto" segundo a nova Estratégia de Defesa Nacional dos EUA. O ataque à Venezuela - culminado no sequestro de Maduro e Cilia Flores - foi interpretado como um "aviso" aos demais países da região. "É um sinal claro: quem se aliar à China ou à Rússia será punido", afirmou o secretário.

A plenária ressaltou que a nova estratégia de defesa dos Estados Unidos recoloca a América Latina e o Caribe como área de domínio prioritário, visando controlar riquezas naturais, mercados e impedir parcerias soberanas com China e Rússia. Países como Venezuela, Cuba, México e Colômbia foram citados como alvos diretos de pressões, sanções, ameaças e intervenções.

O Brasil, pela sua dimensão econômica, importância geopolítica e orientação externa soberana, foi apontado como alvo central dessa ofensiva. Na avaliação do partido, qualquer retrocesso político no país teria impactos regionais profundos, favorecendo a estratégia neocolonial estadunidense.

A ofensiva também se manifesta politicamente: governos de extrema direita já foram eleitos no Chile, Honduras, Argentina e Paraguai, enquanto cinco países - incluindo Colômbia e Brasil - enfrentarão eleições decisivas em 2026.

Contra a farsa do "Conselho da Paz" e pela solidariedade real

A plenária também rejeitou iniciativas como o chamado "Conselho da Paz" proposto por Trump em Davos - descrito como "uma farsa cínica", sem representação palestina e com poder de veto exclusivo do próprio Trump. A análise criticou a iniciativa, vista como tentativa cínica de esvaziar organismos multilaterais, em especial a ONU.

"É uma tentativa de substituir a ONU por um clube privado do imperialismo", criticou o secretário, reafirmando a necessidade de o Brasil manter sua tradição diplomática baseada na não intervenção e no multilateralismo.

Eleições e a centralidade da disputa política no Brasil

Como conclusão política, a plenária enfatizou que a principal contribuição das forças democráticas e populares brasileiras para a luta pela paz e pela soberania dos povos é a reeleição do presidente Lula. Um eventual retorno da direita e da extrema direita ao poder, alinhadas a Trump e às políticas imperialistas, foi caracterizado como uma vitória estratégica dos Estados Unidos na região.

Diante desse cenário, o dirigente foi enfático: "A maior contribuição que podemos dar à luta pela paz, soberania e cooperação internacional é a reeleição do presidente Lula." Ele contrastou o programa patriótico, anti-imperialista e democrático de Lula com a postura dos candidatos de direita, que "se orgulham de ser vassalos de Trump" e apoiaram os ataques à Venezuela.

"Se o Brasil cair nas mãos de um governo títere dos EUA, a regressão será continental - e global", alertou. A vitória de Lula, portanto, não é apenas uma disputa eleitoral, mas um ato de defesa da autonomia nacional e da integração latino-americana.

Ao contrário, a continuidade de um governo com orientação patriótica, democrática e anti-imperialista permitiria ao Brasil seguir exercendo um papel relevante de articulação regional e internacional, em defesa do multilateralismo, da cooperação entre os povos e de uma nova ordem mundial menos subordinada aos interesses do imperialismo estadunidense.

Adalberto convocou os presentes a fortalecer a articulação regional entre Brasil, México, Colômbia, Uruguai e até Canadá, para construir uma frente comum contra a ofensiva neocolonial. "Estamos diante de uma batalha histórica - e o PCdoB estará na linha de frente."

(por Cezar Xavier)

PCdoB - Partido Comunista do Brasil published this content on January 23, 2026, and is solely responsible for the information contained herein. Distributed via Public Technologies (PUBT), unedited and unaltered, on January 23, 2026 at 17:44 UTC. If you believe the information included in the content is inaccurate or outdated and requires editing or removal, please contact us at [email protected]