08/04/2026 | News release | Distributed by Public on 08/04/2026 06:23
O combate ao desmatamento, a adaptação das cidades às mudanças climáticas e a transição para uma economia de baixo carbono ganharam novo impulso nos últimos anos com a retomada de políticas públicas voltadas à proteção ambiental e ao desenvolvimento sustentável. Programas como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), o Plano Clima e a Nova Indústria Brasil (NIB) têm reposicionado a agenda climática como parte da estratégia de desenvolvimento do país.
Para o PCdoB, essa direção dialoga com a concepção de um Projeto Nacional de Desenvolvimento em que crescimento econômico, soberania nacional, ciência, inovação e sustentabilidade ambiental caminham de forma integrada. Em seu documento de contribuição ao programa de governo, o Partido defende que a transformação produtiva, a reindustrialização, a bioeconomia, a segurança energética e a proteção ambiental constituem pilares de um novo ciclo de desenvolvimento para o Brasil.
Os resultados mais recentes ajudam a ilustrar esse processo.
Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 35% em junho de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Mantida essa tendência, o país poderá encerrar o ano com o menor índice de alertas desde o início da série histórica do sistema Deter, em 2016.
A redução ocorre em meio à retomada do PPCDAm, principal política federal de enfrentamento ao desmatamento. Em sua quinta fase, o plano reúne ações de monitoramento por satélite, fiscalização, inteligência contra crimes ambientais, ordenamento territorial, estímulo à bioeconomia e fortalecimento de atividades produtivas sustentáveis, estabelecendo como meta alcançar o desmatamento zero até 2030.
Outra iniciativa considerada estratégica é o Plano Clima. Publicado neste ano, o programa reúne a Estratégia Nacional de Adaptação e 16 planos setoriais destinados a reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de adaptação do país aos impactos das mudanças climáticas. A proposta envolve áreas como infraestrutura, cidades, saúde, segurança alimentar, biodiversidade e gestão de riscos, consolidando uma política climática de caráter transversal.
A dimensão ambiental também passou a integrar a política industrial. Lançada em 2024, a Nova Indústria Brasil estabeleceu entre suas missões estratégicas a mobilidade sustentável, a descarbonização da economia, a transição energética e a bioeconomia. Segundo relatório de monitoramento da política, já foram mobilizados cerca de R$ 3,4 trilhões em investimentos anunciados, públicos e privados, voltados à modernização produtiva, à inovação e à sustentabilidade.
Sustentabilidade como estratégia de desenvolvimento
Na avaliação da gestora ambiental, Inamara Melo, um dos principais avanços desse debate é compreender que a questão ambiental não deve ser tratada como uma política isolada, mas integrada às demais áreas do desenvolvimento.
"A agenda ambiental não pode ficar numa caixinha. Ela perpassa toda a estratégia de desenvolvimento. Quando falamos de cidades, saúde, infraestrutura, segurança alimentar, indústria ou planejamento urbano, também estamos falando de meio ambiente", afirma.
Segundo ela, essa compreensão amplia o papel da política ambiental, que deixa de estar restrita à conservação de florestas e passa a orientar decisões sobre planejamento urbano, infraestrutura, produção de alimentos, mobilidade e desenvolvimento econômico.
Adaptação das cidades ganha protagonismo
Um dos temas que ganha destaque nesse contexto é a adaptação das cidades às mudanças climáticas.
Para Inamara, o aumento da frequência de enchentes, secas, deslizamentos e ondas de calor exige que estados e municípios incorporem os riscos climáticos ao planejamento das políticas públicas.
A adaptação não é uma agenda em si. É uma lente a ser adotada nas diversas políticas públicas implementadas pelo Estado. "É uma agenda que envolve moradia, saneamento, saúde, assistência social, infraestrutura, educação e planejamento urbano. Precisamos reduzir os danos antes que eles aconteçam", explica. Para ela, investir em prevenção representa não apenas uma resposta aos impactos da emergência climática, mas também uma estratégia para reduzir desigualdades e evitar perdas econômicas e humanas.
Ciência, inovação e bioeconomia
Outro ponto de convergência entre as políticas em andamento e as propostas defendidas pelo PCdoB é o fortalecimento da ciência, da inovação e da bioeconomia como motores do desenvolvimento.
O documento partidário defende ampliar a capacidade tecnológica do país, fortalecer a indústria nacional e agregar valor à produção brasileira, tendo a sustentabilidade ambiental como elemento estruturante da estratégia de crescimento.
Na avaliação de Inamara, a preservação ambiental e o desenvolvimento científico são agendas complementares. "Nós precisamos de ciência e inovação para produzir mais e melhor, isso precisa caminhar junto com uma política ambiental. A ciência nunca resolve o problema sozinha se você continuar desmatando", observa.
Um novo paradigma
As políticas implementadas nos últimos anos mostram uma mudança de abordagem na agenda ambiental brasileira. Além do combate ao desmatamento, passam a incorporar planejamento urbano, adaptação climática, reindustrialização, inovação tecnológica e transição energética como elementos de uma mesma estratégia de desenvolvimento.
É justamente essa integração que o PCdoB identifica como um dos caminhos para um Projeto Nacional de Desenvolvimento, no qual proteção ambiental, soberania nacional, fortalecimento do Estado, geração de empregos, ciência e desenvolvimento econômico deixam de ser agendas concorrentes para se tornarem partes de uma mesma estratégia de transformação do país.
Inamara Melo ressalta que esse processo depende da continuidade e da implementação efetiva das políticas públicas já planejadas. "A grande agenda ambiental passa pela promoção do desenvolvimento e da justiça climática, enfrentando o racismo ambiental (…) não dá para tratar uma agenda ambiental deixando as pessoas fora dela." conclui.