05/18/2026 | Press release | Distributed by Public on 05/18/2026 16:25
O ministro da Agricultura e Pecuária em exercício, Cleber Soares, participou, nesta segunda-feira (18/5), do lançamento do relatório Estado do Clima na América Latina e no Caribe 2025 , da Organização Meteorológica Mundial (OMM) , agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU). O evento foi realizado na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília.
Esta foi a primeira vez que o lançamento do relatório ocorreu no Brasil, com organização do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em sua sexta edição regional, o documento reúne evidências científicas, dados dos Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais, centros regionais, instituições de pesquisa e parceiros do sistema ONU.
Durante a cerimônia, a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, destacou a importância do relatório como instrumento para fortalecer ações de adaptação e prevenção climática. "O relatório Estado do Clima na América Latina e no Caribe 2025 não é apenas uma publicação científica. É um apelo à ação. Ele nos pede para fortalecer as observações, investir em serviços, abordar as deficiências nos sistemas de alerta precoce e garantir que as informações climáticas cheguem a quem mais precisa delas", explicou.
Na abertura do evento, Cleber Soares ressaltou o trabalho desenvolvido pelo Inmet na geração de informações e alertas meteorológicos para o país e reconheceu a atuação das equipes técnicas envolvidas no monitoramento climático.
Segundo o ministro em exercício, é impossível falar em resiliência climática sem considerar três pilares fundamentais: mitigação, adaptação e sustentabilidade. Ele destacou ainda as políticas públicas voltadas à agricultura de baixa emissão de carbono implementadas pelo Brasil desde 2010, por meio do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC).
"Entre 2010 e 2020, o plano estabeleceu metas voltadas à adoção de tecnologias sustentáveis, como fixação biológica de nitrogênio, recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, florestas plantadas e sistemas intensivos sustentáveis. Se o Brasil não tivesse iniciado esse processo de mitigação ainda em 2010, os impactos climáticos poderiam ser muito mais severos", afirmou Soares.
O ministro também destacou que, no novo ciclo do Plano ABC, entre 2021 e 2030, a meta é incorporar mais 50 milhões de hectares em sistemas resilientes e de baixa emissão de carbono, além de mitigar 1,1 gigatonelada de CO₂ equivalente.
O relatório foi apresentado pelo climatologista José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Segundo ele, as temperaturas em 2025 permaneceram acima da média histórica, enquanto as geleiras andinas seguem perdendo extensão, comprometendo a segurança hídrica da região. O especialista também alertou para a elevação do nível do mar em áreas costeiras do Atlântico e do Caribe e para a intensificação de eventos extremos, como chuvas intensas, secas, ondas de calor e ciclones tropicais.
A secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Anna Flávia Sena, ressaltou a importância de relatórios científicos para orientar políticas públicas e conscientizar a sociedade sobre os efeitos das mudanças climáticas. "Não há mais possibilidade de convivermos com desinformação, porque não temos prazo para agir. Os relatórios são instrumentos importantes de registro da memória climática regional, construídos com base em conhecimento científico, que nos alertam sobre a necessidade de combinarmos resiliência e adaptação climática, proteção de ecossistemas e transição para modelos de desenvolvimento de baixo carbono", disse.
Outro dado destacado durante o lançamento foi que 2025 já figura entre os anos mais quentes já registrados. Projeções da OMM indicam alta probabilidade de novos recordes de temperatura até o fim desta década.
Diante desse cenário, o Governo Federal tem ampliado os investimentos na meteorologia brasileira, com contratação de técnicos e expansão da capacidade operacional do setor. A meta é que, até junho de 2027, o país alcance 977 estações meteorológicas automáticas, todas equipadas com transmissão via satélite e sistema de redundância dupla. A modernização permitirá ampliar a frequência das leituras meteorológicas, atualmente realizadas uma vez ao dia, para intervalos de até 10 minutos, quando necessário, garantindo respostas mais rápidas a desastres naturais e eventos climáticos extremos.
"O lançamento do relatório reforça a importância da cooperação entre países, instituições e centros de pesquisa diante dos desafios trazidos pelas mudanças climáticas e pelos eventos extremos, cada vez mais frequentes", destacou o diretor do Inmet, Carlos Alberto Jurgielewicz.
Também participaram do evento a diretora do Cemaden, Regina Célia dos Santos Alvalá, e o secretário nacional de Segurança Hídrica do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Giuseppe Vieira.