Federal Government of Brazil

05/06/2026 | Press release | Distributed by Public on 05/06/2026 11:26

Ideia do Brasil, avança 'coalizão do mercado de carbono' que reúne China e União Europeia

A Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono, proposta pelo Brasil durante a COP30, avançou em sua fase de implementação, com a discussão e aprovação de sua governança e dos mecanismos de adesão formal com base no seu Termo de Referência. A reunião ocorreu no âmbito da Semana do Clima 2026, do Instituto da Universidade Europeia ( EUI Climate Week 2026, no nome em inglês). O evento está sendo realizado em Florença, entre 5 e 7 de maio, em Florença, na Itália.

A iniciativa reúne Brasil, China, União Europeia e outras grandes economias num processo gradual de cooperação e convergência entre mercados regulados de carbono. Ao aproximar sistemas nacionais e regionais de precificação, a Coalizão busca ampliar a interoperabilidade entre mercados, fortalecer a integridade ambiental, proteger o comércio internacional e criar melhores condições para investimentos em tecnologias e cadeias produtivas de baixo carbono.

O encontro em Florença é considerado um marco por consolidar a entrada da China numa iniciativa internacional estruturada sobre mercados regulados de carbono, ao lado da União Europeia e do Brasil. Juntas, as economias envolvidas no processo representam cerca de 60% do PIB mundial, indicando uma mudança relevante na direção de uma economia global descarbonizada.

A Coalizão foi lançada como uma resposta concreta à necessidade de transformar compromissos climáticos em instrumentos econômicos efetivos. Ao incorporar a precificação do carbono aos processos produtivos, os mercados regulados criam incentivos para a redução de emissões, estimulam inovação tecnológica e aceleram a transição para modelos de produção mais limpos e competitivos.

A iniciativa também busca promover maior alinhamento entre metodologias nacionais, sistemas de monitoramento, relato e verificação, regras de contabilidade de carbono e critérios para o uso de créditos de alta integridade. Esse processo deve ampliar a confiança entre os mercados, reduzir barreiras técnicas e aumentar a escala dos investimentos em descarbonização.

De acordo com a secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis: "A Coalizão mostra que, mesmo em um contexto internacional polarizado, é possível construir soluções concretas, graduais e cooperativas para acelerar a ação climática", disse. "O Brasil propôs essa agenda na COP30 e agora lidera sua implementação ao lado da China e da União Europeia", comemorou.

A Coalizão é aberta à entrada de novos membros. Dez países já avançam no processo de adesão formal, com base no Termo de Referência aprovado, enquanto outros devem se somar ao grupo nos próximos meses. A expectativa é que o processo ganhe novo impulso ao longo da presidência brasileira da COP 30.

Participaram das discussões representantes de Brasil, China, União Europeia, Turquia, Nova Zelândia, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Noruega e Singapura. Também estiveram presentes instituições internacionais e organizações especializadas, como a Parceria Internacional de Ação sobre Carbono (ICAP);Agência Internacional de Energia (IEA); o Instituto Universitário Europeu (EUI); o Instituto de Recursos Mundiais (WRI); a Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA); o Fundo de Defesa Ambiental (EDF); a Fundação Children's Investment Fund (CIFF); a Fundação Europeia do Clima (ECF); além de membros do Quebec.

Expansão

A subsecretária Ana Paula Cavalcante também participou das discussões em Florença e destacou que o interesse de outras grandes economias reforça o potencial de expansão da Coalizão. Segundo ela, a Coalizão cria um espaço de convergência que tende a se tornar cada vez mais relevante para harmonização de práticas de precificação de carbono com possíveis impactos no comércio internacional. "Países integrados com mercados regulados e interoperáveis terão melhores condições de acesso ao mercado internacional. Isso torna a Coalizão não apenas uma iniciativa climática, mas também um instrumento estratégico de competitividade para as economias que querem continuar vendendo para o mercado global ", explicou.

A governança inicial da Coalizão prevê o Brasil como presidente por dois anos, com China e União Europeia como copresidentes. A estrutura inclui reuniões de alto nível, secretaria permanente e grupos de trabalho temáticos, voltados à cooperação técnica e à construção gradual de interoperabilidade entre mercados regulados de carbono.

Para o Brasil, o avanço da Coalizão reforça o papel da COP 30 como uma conferência voltada à implementação. A proposta brasileira busca transformar a agenda climática em instrumentos práticos de política econômica, capazes de gerar sinalização de longo prazo para empresas, investidores e governos. Ao reunir grandes economias em torno da precificação do carbono, a Coalizão aponta para um cenário em que países e setores que não avançarem na transição poderão perder competitividade e ficar presos a tecnologias mais antigas e intensivas em emissões.

A Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono consolida, assim, uma agenda de cooperação internacional voltada à construção de mercados mais transparentes, confiáveis e conectados. A partir de Florença, a iniciativa entra em nova fase: a de transformar a ambição climática em regras, instituições e instrumentos econômicos capazes de acelerar a descarbonização da economia global.

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