PCdoB - Partido Comunista do Brasil

07/28/2026 | News release | Distributed by Public on 07/28/2026 17:21

Aldo Arantes, a memória viva de sete décadas de luta de um comunista

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Goiânia sedia, nesta quarta-feira (29), o relançamento de Alma em Fogo - Memórias de um Militante Político, a autobiografia de Aldo Arantes. O evento, na Livraria Palavrear, precede a Convenção Eleitoral do PCdoB-GO, que na sexta (31) deve confirmar a pré-candidatura do autor ao Senado. Aos 87 anos, Aldo segue em atividade, e o livro ganha nova vida às vésperas das eleições gerais de 2026.

Aldo Arantes tem cerca de sete décadas de vida pública. Alma em Fogo cobre a maior parte dessa trajetória. Publicado originalmente em 2013 pela Editora Anita Garibaldi e pela Fundação Maurício Grabois, o livro entrega ao leitor um testemunho de primeira mão e de enorme valor histórico, através do depoimento de um dos protagonistas do Brasil contemporâneo.

O autor foi presidente da UNE no início dos anos 1960, fundador da Ação Popular (AP), dirigente do PCdoB, preso e torturado pela ditadura, deputado constituinte e, mais tarde, secretário de Meio Ambiente de Goiás e formulador da política ambiental de seu partido. A autobiografia acompanha esse percurso sem cair na armadilha da autopromoção. Ao contrário, transforma a experiência individual em fio condutor para narrar episódios marcantes. O título, inspirado em versos de Goethe, reflete o espírito do autor: agir com convicção integral.

Seu grande mérito está nessa perspectiva. Em vez de construir um relato centrado em sua figura, Aldo insere sua trajetória nas lutas coletivas de sua geração. O leitor acompanha a efervescência da juventude católica dos anos 1950, a ascensão do movimento estudantil, a atuação decisiva na Campanha da Legalidade ao lado de Leonel Brizola e a criação da UNE Volante.

Se a primeira parte do livro transmite entusiasmo, a segunda mergulha no período mais dramático da vida de Aldo. O capítulo sobre o golpe militar de 1964 e a vida clandestina é o coração de Alma em Fogo. A ditadura interrompeu brutalmente um ciclo de esperanças e abriu um período de perseguição implacável. A obra detalha o nascimento da Ação Popular, a resistência à ditadura, os anos de clandestinidade, a incorporação da AP ao PCdoB, a prisão após a Chacina da Lapa, a campanha pela Anistia e a redemocratização. São páginas em que a memória pessoal se encontra com a história política do país.

Essa parte mais densa do livro descreve os 11 anos em que Aldo viveu na clandestinidade e quase três na prisão. Em 1976, foi capturado na Chacina da Lapa e submetido a torturas no DOI-Codi. De dentro do cárcere, escreveu uma carta-denúncia entregue ao então presidente da OAB, Raymundo Faoro, e publicada pelo jornal O Globo em 1977 - um dos primeiros documentos a expor publicamente a violência do regime. Com a anistia, em 1979, retornou a Goiás e foi eleito deputado federal.

Ao mesmo tempo, a obra preserva um tom profundamente humano. Aldo narra as dificuldades da clandestinidade, a dor provocada pela repressão, a prisão de companheiros e familiares e o impacto da ditadura sobre sua própria vida. Tais passagens afastam qualquer romantização da resistência e revelam o custo pessoal enfrentado por milhares de brasileiros que lutaram contra o regime.

Outro aspecto que distingue o livro é sua capacidade de dialogar com diferentes momentos históricos. Os capítulos dedicados à Assembleia Nacional Constituinte de 1987/1988 mostram a intensa disputa em torno da reforma agrária, dos direitos sociais e da democratização das instituições. Aldo foi o único constituinte goiano avaliado com nota máxima pelo Diap.

Já a parte final da obra revela um autor menos memorialista e mais ensaísta. Na década de 1990, em meio a discussões sobre os desafios da esquerda após o fim da União Soviética e do bloco socialista, Aldo combate os governos neoliberais de Collor e FHC. Mais tarde, já nos anos 2000, dedicou-se à pauta ambiental, coordenando a formulação da política de "desenvolvimento sustentável soberano" do PCdoB e defendendo a incorporação da questão ambiental ao projeto socialista. A transição entre esses dois registros amplia o alcance da obra e mostra um dirigente disposto a atualizar permanentemente sua reflexão política.

Como toda autobiografia, Alma em Fogo apresenta a perspectiva de seu protagonista. O leitor encontrará interpretações firmes sobre acontecimentos históricos e uma defesa consistente das posições políticas construídas ao longo de décadas de militância. Essa característica, longe de diminuir o livro, reforça seu valor como documento histórico. Trata-se do testemunho de alguém que participou diretamente de acontecimentos decisivos da vida nacional.

Naturalmente, o tempo também impõe limites. Por ter sido lançado em 2013, o livro não alcança os acontecimentos dos anos seguintes: o golpe contra Dilma Rousseff, a ascensão da extrema direita e o retorno de Lula à Presidência da República. Tampouco registra a continuidade da atuação intelectual e política de Aldo Arantes, que inclui a idealização e a coordenação-geral da Associação dos Advogados pela Democracia (ADJC), além da publicação de mais cinco livros, como autor ou organizador.

Essa lacuna, porém, apenas reforça a atualidade do livro. Seu relançamento convida novas gerações a conhecerem uma trajetória marcada pela coerência política, pela defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos do povo brasileiro. Mais do que a autobiografia de um dirigente comunista, a obra preserva a memória de uma geração que enfrentou a ditadura, ajudou a reconstruir a democracia e continua oferecendo referências para pensar o Brasil.

Alma em Fogo é o depoimento de quem esteve na linha de frente. Aldo Arantes emerge das páginas como um homem que não se curvou à tirania, não se corrompeu pelo poder e nunca perdeu a fé na causa popular. Sua "alma em fogo" segue acesa. O relançamento do livro e a pré-candidatura ao Senado provam que essa caminhada, longe de terminar, retorna às suas origens para seguir adiante.

FICHA TÉCNICA

Alma em Fogo - Memórias de um Militante Político

Autor: Aldo Arantes | 492 páginas | Editora Anita Garibaldi / Fundação Maurício Grabois (2013) | Prefácio: Haroldo Lima | Posfácio: Roberto Amaral

PCdoB - Partido Comunista do Brasil published this content on July 28, 2026, and is solely responsible for the information contained herein. Distributed via Public Technologies (PUBT), unedited and unaltered, on July 28, 2026 at 23:22 UTC. If you believe the information included in the content is inaccurate or outdated and requires editing or removal, please contact us at [email protected]