INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

07/23/2026 | Press release | Distributed by Public on 07/23/2026 08:39

Boletim Infoqueima apresenta panorama das queimadas e do risco de fogo no Brasil em junho de 2026

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apresenta os principais destaques da edição de junho do Boletim Infoqueima, publicação técnica mensal do Programa Queimadas que reúne informações sobre o monitoramento de queimadas e incêndios florestais no Brasil. Nesta nova fase do boletim, que incorpora novos produtos e análises, seus principais resultados também passam a ser divulgados no portal de notícias do Instituto, ampliando as informações disponibilizadas à sociedade e aos gestores públicos. A divulgação da edição de junho coincide com o período em que se intensifica a temporada de fogo em grande parte do país, tornando ainda mais relevante o acompanhamento sistemático das condições de queimadas e do risco de incêndios florestais.

Publicado mensalmente há mais de uma década, o Infoqueima reúne dados produzidos pelo Programa Queimadas do INPE sobre focos de fogo, eventos de fogo, áreas queimadas, risco meteorológico de fogo e condições meteorológicas associadas à ocorrência de incêndios e queimadas.

Mais de 5,2 mil focos de fogo ativo registrados em junho

Em junho de 2026, o satélite de referência utilizado pelo Programa Queimadas registrou 5.209 detecções de focos de fogo ativo em todo o território nacional. Esse total foi 27% abaixo da média histórica para junho (2010-2024) e 14% abaixo do valor registrado em 2025 (6.060 focos).

Entre os estados com maior número total de focos registrados no mês de junho destacaram-se Mato Grosso (1.440), Tocantins (1.109) e Bahia (625). Porém, em relação à anomalia calculada para o mês, Alagoas, Espírito Santo, Bahia, Ceará e Pernambuco se destacaram com ocorrências significativamente acima do esperado. Os demais estados apresentaram valores próximos ou abaixo da média histórica.

Monitoramento de focos de fogo ativo em junho de 2026: À esquerda, total das detecções registradas em todo o território nacional. À direita, anomalia em relação ao período histórico, com áreas acima da média em tons avermelhados e abaixo da média em tons esverdeados. Fonte: Boletim Infoqueima - junho/2026.

Nos biomas brasileiros, o Cerrado concentrou a maior parte das detecções, respondendo por 57,8% dos focos registrados no país, seguido pela Amazônia (26,2%), Mata Atlântica (8,2%), Caatinga (6,7%), Pantanal (0,9%) e Pampa (0,2%).

Embora o Cerrado tenha registrado o maior número absoluto de focos, a Caatinga foi o único bioma que apresentou condição moderadamente acima da média histórica para o mês de junho, considerando a série climatológica entre 2010 e 2024. Segundo o boletim, este foi um mês crítico para o bioma, e a expectativa é de aumento das detecções ao longo dos próximos meses, acompanhando a evolução da estação seca.

Novo produto acompanha focos em áreas de interesse territorial

Uma das novidades do Infoqueima é a inclusão do monitoramento de focos de fogo ativo em áreas de interesse territorial, como Terras Indígenas, Unidades de Conservação federais e estaduais, Assentamentos Rurais e Comunidades Quilombolas.

Em junho, foram registrados 1.192 focos nessas áreas, o equivalente a 23% do total observado no país. As Terras Indígenas concentraram o maior número de registros (523), seguidas pelas Unidades de Conservação Estaduais (243), Unidades de Conservação Federais (232), Assentamentos Rurais (187) e Comunidades Quilombolas (7).

Focos de fogo ativo por tipo de Áreas de Interesse Territorial em junho de 2026. Fonte: Boletim Infoqueima - junho/2026.

Eventos de Fogo ampliam a compreensão sobre a dinâmica das queimadas e incêndios

O boletim também apresenta os resultados do produto Eventos de Fogo, que integra espacial e temporalmente os focos detectados via sensoriamento remoto pelos satélites utilizados no Programa Queimadas.

Em junho de 2026 foram registrados 14.693 Eventos de Fogo, com uma Estimativa de Área Queimada (EAQ) de aproximadamente 3,22 milhões de hectares.

Do total de eventos identificados, 70% foram classificados como queimadas ou atividades antrópicas, 18% como possíveis inícios de incêndio e 12% como incêndios. Apesar de representarem a menor parcela do total de eventos, os incêndios responderam pela maior extensão territorial afetada, concentrando cerca de 44% da área queimada estimada.

Além da classificação dos eventos, o produto disponibiliza informações como duração, localização das frentes de fogo, estimativa de área queimada e condições meteorológicas associadas, contribuindo para a compreensão da dinâmica de propagação do fogo.

Brasil Central concentrou as maiores áreas de risco de fogo

As análises do risco meteorológico de fogo indicaram predominância de categorias alta e crítica em grande parte do Brasil Central e em áreas da região Nordeste durante o mês de junho. Já nas regiões Norte e Sul prevaleceram condições de risco baixo ou mínimo em função da ocorrência de precipitação.

Na comparação com a climatologia do período de 2001 a 2025, observou-se aumento do risco principalmente na região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), além do sudeste do Pará, sul do Amazonas, Rondônia e Rio Grande do Sul, associado à redução das chuvas nessas localidades.

Risco meteorológico de fogo em junho de 2026. Acima, à esquerda, risco observado no mês; à direita, climatologia do risco para junho. Abaixo, mapa das diferenças em relação à média histórica (2001-2025), destacando as regiões com aumento ou redução das categorias de risco. Fonte: Boletim Infoqueima - junho/2026.

O monitoramento contínuo realizado pelo Programa Queimadas permite acompanhar a evolução das condições de fogo em todo o território nacional, fornecendo informações técnicas que apoiam ações de prevenção, planejamento, monitoramento e resposta aos incêndios florestais e às queimadas.

O Boletim Infoqueima é publicado mensalmente pelo Programa Queimadas do INPE e reúne análises detalhadas, mapas e indicadores sobre o comportamento do fogo no Brasil. A edição completa de junho de 2026 pode ser acessada clicando aqui.

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