05/07/2026 | Press release | Distributed by Public on 05/07/2026 12:21
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou nesta quinta-feira (07) a Portaria SPA/MAPA nº 95, de 5 de maio de 2026 com versão aprimorada do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do girassol no Brasil, que passa a considerar seis classes de água disponível no solo (Zarc Girassol - 06ADs). "O Zarc é uma ferramenta de análise do risco derivado da variabilidade climática e que considera as características da cultura e do solo. Para o aprimoramento do Zarc, empregamos novas metodologias e parâmetros, além de base de dados climáticos atualizada com novos fatores de risco considerados, associando questões hídricas, térmicas e fitossanitárias", explica o pesquisador José Renato Bouças Farias, da Embrapa Soja.
Farias explica que para o girassol foram definidas as áreas e os períodos de semeadura para o cultivo da planta com probabilidades de perdas de rendimento inferiores a 20, 30 e 40%, devido à ocorrência de eventos meteorológicos adversos. "Porém, é importante ressaltar que o Zarc não estabelece os períodos e locais de semeadura com maior probabilidade de obtenção dos maiores rendimentos", enfatiza o pesquisador.
A nova metodologia de abordagem dos riscos associados à água disponível no solo, de acordo com Farias, passa a adotar seis classes de água disponível (definidas com base na composição textural dos solos - teores de silte, areia e argila), e não mais em apenas três tipos (estabelecidas, basicamente, pelo teor de argila). O pesquisador afirma que a água disponível será estimada para o solo de cada área de produção, a partir dos teores de silte, areia e argila, através do uso de uma equação (função de pedotransferência) ajustada para os distintos solos brasileiros. "Além disso, o Zarc Girassol-06 ADs já estará pronto para incorporar, no futuro, o efeito de diferentes níveis de manejo do solo e dos sistemas produtivos a serem associados ao risco climático nos futuros trabalhos de zoneamento", adianta Farias.
Para o pesquisador, o aprimoramento da metodologia do Zarc Girassol garante maior representatividade da atual realidade. Isso porque os resultados obtidos foram validados em reuniões realizadas junto aos principais atores da cadeia produtiva do girassol em novembro de 2025. "Nossa proposta é minimizar os riscos e possibilitar maior estabilidade da produção e de renda para o produtor, o que é estratégico para a manutenção/garantia da capacidade produtiva brasileira", explica o pesquisador.
Características do girassol - O girassol é pouco influenciado pelas variações de latitude e de altitude, apresenta tolerância a baixas temperaturas e é relativamente resistente à seca. Com relação às necessidades de água para o cultivo do girassol, Farias afirma que o ideal seria em torno de 500 a 700 mm de água disponível, bem distribuídos ao longo do ciclo. "As fases mais sensíveis ao déficit hídrico ocorrem durante a semeadura e a emergência das plantas e, principalmente, do início da formação do capítulo ao começo da floração seguida da formação e enchimento de grãos", destaca Farias.
Outro fator considerado como um dos parâmetros no Zarc foi a associação das condições climáticas ao risco fitossanitário, uma vez que o clima pode ou não favorecer o desenvolvimento de importantes doenças e de difícil controle. A podridão branca, causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, por exemplo, está associada às condições frias e úmidas. Por outro lado, a mancha de alternaria, causada pelo fungo Alternaria helianthi, é decorrente de altas temperaturas e chuvas excessivas. "Nosso estudo procurou, também, delimitar as áreas e identificar os períodos de menor risco climático para a ocorrência de problemas fitossanitários e, assim, favorecer a exploração da cultura do girassol no Brasil", destaca.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a área cultivada no Brasil em 2025/26 seja pouco maior de 63 mil ha, concentrando-se principalmente no estado de Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. "Apesar dos diversos usos do girassol e do potencial da cultura como componente de sistemas de produção diversificados e rentáveis, a variabilidade na disponibilidade hídrica e as condições térmicas são as principais limitações à expressão do potencial de rendimento do girassol no Brasil", explica o pesquisador.
Base de dados - A base de dados meteorológicos utilizadas na atualização do Zarc é composta por séries históricas de aproximadamente 30 anos, que foi amplamente revisada, consistida e atualizada para períodos mais recentes, obtidas a partir das redes de estações terrestres, meteorológicas e pluviométricas, convencionais e automáticas, oriundos de diversas instituições. "As séries de chuva reunidas e com períodos de dados a partir de 1993, passaram por teste de homogeneidade e análise de consistência e contemplam cerca de 4.200 pontos de dados distribuídos no território nacional", explica Farias.
Zarc e políticas públicas - Desde 1996, o Zarc é adotado pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). As recomendações do Zarc são usadas pelo Proagro e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR) em mais de 40 culturas. De acordo com Farias, o Brasil perde cerca de R$ 11 bilhões ao ano devido aos riscos extremos. A maior parte, decorrente de adversidades climáticas como deficiência hídrica (seca e veranico); temperaturas muito baixas (geada); chuva na colheita; doenças em tempo favorável; temperaturas muito altas; excesso de chuva, granizo e vendaval. A nova versão do Zarc para o girassol busca melhor aproximar os riscos à atual realidade de campo. Contribui para a redução de perdas e para a racionalização do crédito e do seguro agrícola.
Acesso ao Zarc - O acesso à ferramenta pode ser feito no aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, que está disponível nas lojas de aplicativos iOS e Android. Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma "Painel de Indicação de Riscos" e nas portarias de Zarc por Estado.