Presidency of the Portuguese Republic

06/06/2026 | Press release | Distributed by Public on 06/06/2026 11:52

Intervenção na Câmara dos Deputados do Luxemburgo

É uma honra, e também uma imensa alegria, dirigir-me hoje a esta assembleia, o coração pulsante da democracia luxemburguesa. Estar aqui, por ocasião das comemorações do 10 de junho, data em que o meu país celebra o seu Dia Nacional, de Camões e das Comunidades Portuguesas, confere a este momento um simbolismo acrescido.

Este é um país que abriu as suas portas e o seu coração a gerações de portugueses. Há mais de meio século, os meus compatriotas chegaram a esta terra em busca de um futuro melhor. Encontraram-no, mas também deram o melhor de si para o construir convosco.

Num tempo em que tantas fronteiras se erguem e tantas portas se fecham, este exemplo de abertura, confiança mútua e integração merece ser reconhecido e valorizado. É uma demonstração e um feliz exemplo de que sociedades mais fortes se constroem pela inclusão, pelo respeito mútuo e pela capacidade de acolher aqueles que desejam contribuir para o bem comum.

O Luxemburgo é hoje um exemplo da criaçãode respeito e apreço mútuos entre quem, vindo de Portugal, procurou este país para realizar o seu projeto de vida, integrando-se com naturalidade, trabalhando e contribuindo para o desenvolvimento do grão-ducado, e quem acolheu, de boa vontade e com interesse, uma comunidade que evidencia múltiplos laços comuns com a própria natureza dos luxemburgueses.

Hoje, a comunidade portuguesa no Luxemburgo já não é apenas uma comunidade, é uma parte indissociável da própria identidade luxemburguesa. Representa cerca de 14% da população total, cerca de 112 mil pessoas, há quem diga mais. A maior comunidade europeia no Grão-Ducado.

É uma comunidade cada vez mais bem integrada e mais diversificada. São mulheres e homens que trabalham nas empresas, que ensinam nas escolas, que dinamizam a cultura e que, cada vez mais, participam ativamente na vida política e cívica do Luxemburgo.

Permitam-me, a este respeito, sublinhar a minha satisfação e orgulho pelo facto de dois dos membros desta Câmara serem concidadãos portugueses: Liz Braz e Ricardo Fernandes Marques.

Neste momento, não posso deixar de recordar e evocar o papel de Félix Braz, pai de Liz Braz, antigo Deputado desta Câmara e antigo Vice Primeiro-Ministro e Ministro da Justiça.

Permitam-me ainda aludir também a Isabel Wiseler-Lima (mulher do Senhor Presidente desta Câmara dos Deputados), nossa compatriota e deputada ao Parlamento Europeu desde 2019.

Esta integração exemplar é o testemunho vivo de que a identidade não se divide, multiplica-se. Os luso-luxemburgueses são um exemplo claro de cidadania europeia, orgulhosos das suas raízes e profundamente comprometidos com o futuro do Luxemburgo.

Assistimos hoje a uma profunda transformação no perfil da saída de portugueses para a Europa. Obviamente, sem esquecer as gerações de portugueses que, na segunda metade do século XX partiram em busca de melhores condições de vida para si e para as suas famílias, é hoje forçoso reconhecer que, na Europa, Portugal tem uma mobilidade cada vez mais diversificada e muitíssimo qualificada.

Muitos portugueses escolhem desenvolver carreiras internacionais, integrar empresas globais, centros de investigação, universidades ou instituições europeias, não apenas por necessidade, mas também por ambição profissional, espírito de descoberta e vontade de participar em projetos de dimensão europeia e internacional.

O Luxemburgo é um exemplo particularmente expressivo desta evolução. A par de uma comunidade portuguesa historicamente enraizada, encontramos hoje numerosos portugueses que desempenham funções de elevada responsabilidade nas instituições europeias, contribuindo diariamente para a construção do projeto europeu.

A forma como esta comunidade tem sido integrada, valorizada e incentivada a participar na vida económica, social, cultural e política do Luxemburgo, merece o meu enorme reconhecimento.

Cabe-me, também, hoje testemunhar que, fruto dessa abertura e confiança mútua, se criaram laços profundos entre os nossos dois países.

A Diáspora é um elemento essencial de Portugal, projeta o país no mundo, reforça a sua influência internacional e cria pontes económicas, culturais e científicas.

Portugal faz-se na soma de todos os portugueses, aqueles que habitam em Portugal e aqueles que a vida trouxe até países europeus e outros.

No dia de Portugal celebra-se também a língua portuguesa, uma das línguas mais faladas no mundo e elemento de ligação entre Portugal e a sua Diáspora.

É para mim uma prioridade que Portugal crie todas as condições necessárias para que as nossas comunidades continuem a poder aprender português, especialmente aqueles que já nasceram fora de Portugal.

Num mundo polarizado e em que a inconstância, a incerteza e a violência proliferam, é reconfortante constatar que o relacionamento entre Portugal e o Luxemburgo é um exemplo auspicioso de amizade, concórdia e de cooperação.

Um exemplo para muitos outros países do mundo, onde os cidadãos de Portugal e do Luxemburgo, em conjunto, se encontram e vivem.

Este relacionamento entre portugueses e luxemburgueses de empreendedorismo, de afetos, de consciência das vantagens mútuas que representa, tem dado excelentes resultados. Mas é fundamental que dê ainda mais.

A nossa ligação não se esgota nos afetos e na demografia. Portugal e o Luxemburgo partilham uma relação económica e política de uma solidez extraordinária, assente numa amizade e confiança mútuas e numa visão partilhada do futuro.

As nossas trocas comerciais têm crescido, mas o potencial que temos pela frente é ainda maior. Queremos ir além dos setores tradicionais. Portugal é hoje um polo vibrante de inovação tecnológica, de energias renováveis e de indústrias criativas. E o Luxemburgo é um centro financeiro global de excelência e um líder em inovação digital e espacial.

Temos todas as condições para criar sinergias mais fortes, por exemplo na transição digital e na descarbonização da economia, no setor da energia, na cooperação militar industrial, no sector espacial, na mobilidade autónoma, na investigação em saúde, na democratização da inteligência artificial, na economia do mar ou no turismo. Pois, relembro, que Portugal foi, em 2025, o principal destino da companhia de bandeira luxemburguesa Luxair.

Investir em Portugal é investir num parceiro fiável, qualificado e inovador. Um país aberto ao mundo que tem a ambição de transformar a relação com a diáspora num verdadeiro eixo de desenvolvimento económico, assente não apenas na ligação emocional, mas sobretudo na confiança, na profissionalização e na criação de valor partilhado entre Portugal e os portugueses no mundo.

No plano político, a nossa sintonia é enorme. Portugal e o Luxemburgo estão alinhados nos grandes dossiers internacionais e empenhados em encontrar soluções para os problemas globais que todos enfrentamos: as alterações climáticas, o desenvolvimento sustentável, o combate à pobreza e a busca pela paz.

Somos duas nações democráticas que acreditam profundamente na paz, no multilateralismo e no respeito pelo direito internacional e direitos humanos.

Portugal e o Luxemburgo valorizam os seus parlamentos nacionais e a cooperação interparlamentar. Não é por acaso que um dos Deputados portugueses que integra a minha comitiva preside ao grupo parlamentar de amizade Portugal-Luxemburgo.

A cumplicidade de pontos de vista entre Portugal e o Luxemburgo estende-se também ao seio da União Europeia. Ambos sabemos que o projeto europeu não é um dado adquirido.

A Europa é uma construção diária que exige coragem e solidariedade. Num momento de transformação e de reconfiguração dos equilíbrios internacionais e europeus, impõe-se que os laços que unem os nossos países reforcem a sua extensão e qualidade.

Face aos complexos desafios geopolíticos que o nosso continente enfrenta, desde a trágica realidade da guerra nas nossas fronteiras de leste até à urgência climática, o Luxemburgo e Portugal falam a mesma voz.

Uma voz que defende uma Europa de excelência e justa, onde a solidariedade interna não é uma palavra vã, mas sim o motor do desenvolvimento de todas as regiões, do Atlântico ao coração da Europa Central.

Defendemos juntos o aprofundamento do Mercado Único, mas também a consolidação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais. Porque a Europa só será verdadeiramente forte se for justa, se não deixar ninguém para trás e se continuar a garantir a prosperidade e a segurança dos seus cidadãos.

Juntos, continuaremos a bater-nos por uma União Europeia que seja um farol de progresso, liberdade e democracia num mundo que aparenta estar cada vez mais incerto.

O projeto Europeu é um projeto de Paz.

Ao celebrar hoje convosco o Dia de Portugal, celebro também a amizade. A amizade entre os nossos dois povos e países. E olho para o futuro das nossas relações com um otimismo inabalável.

Sabendo da enorme a cumplicidade que existe entre os nossos povos, sei também caminharemos sempre lado a lado na construção de uma europa justa e à altura dos desafios do nosso tempo na tecnologia, na economia, na defesa e na solidariedade.

Só assim, podemos aspirar a tornar os nossos países ainda mais justos e multiplicar a nossa excelência, para dar mais Europa à Europa.

Esta Europa precisa muito do Luxemburgo e de Portugal.

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