INMET - National Institute of Meteorology of the Federative Republic of Brazil

07/14/2026 | News release | Distributed by Public on 07/14/2026 14:00

Chuvas intensas na Região Sul reacendem alerta fitossanitário para as lavouras de trigo

De acordo com o monitoramento das lavouras realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura de trigo no país já alcançou 94,7% da área prevista. No Rio Grande do Sul, os trabalhos de semeadura atingiram, em média, 87% da área estimada, com predominância de lavouras nos estádios de desenvolvimento vegetativo inicial e perfilhamento. No Paraná, os elevados volumes de chuva registrados no início do mês de julho nas regiões oeste e sudoeste aumentaram a pressão fitossanitária, favorecendo a ocorrência de doenças fúngicas e manchas foliares. Em Santa Catarina, o tempo seco tem contribuído para a melhoria das condições operacionais, favorecendo a germinação e a emergência do trigo.

Nesses estados, as lavouras encontram-se predominantemente entre as fases vegetativa e reprodutiva, período em que ocorre aumento da demanda hídrica devido ao intenso crescimento das plantas. Como consequência, as culturas tornam-se mais sensíveis à ocorrência de déficits hídricos. Até o momento, o desenvolvimento das lavouras tem sido favorecido pela distribuição regular das chuvas e pelas temperaturas mais amenas registradas na região. O município de Cruz Alta (RS) (Figura 1), exemplifica as condições meteorológicas predominantes durante o desenvolvimento da cultura na região noroeste do Rio Grande do Sul.

As precipitações ocorreram de forma regular durante a primeira metade do período, com os maiores acumulados registrados em 29/06 (19,9 mm), 02/07 (15,2 mm), 22/06 (14,9 mm), 28/06 (12,6 mm) e 19/06 (11,9 mm). A partir do início de julho, observou-se uma redução das chuvas, configurando um período seco prolongado, com volumes próximos de zero até o dia 13/07. As temperaturas máximas variaram entre 8,9 °C e 23,0 °C, enquanto as mínimas apresentaram maior variação, com destaque para os dias 16/06/, 04/07 e 07/07, quando foram registrados os menores valores do período, de 2,0 °C e 0,2 °C, respectivamente. De acordo com a Emater/RS-Ascar, as baixas temperaturas e a ocorrência de geadas de fraca intensidade favoreceram o perfilhamento das plantas, sem causar danos expressivos às lavouras da região.

Para os próximos cinco dias, a previsão indica uma elevação gradual das temperaturas. A partir de 15/07, as máximas tendem a aumentar progressivamente, superando 27 °C entre os dias 17 e 18/07, enquanto o tempo deverá permanecer estável até o sábado (18/07). Esse cenário de aquecimento gradual, associado à baixa probabilidade de chuva no curto prazo, reforça a necessidade de monitoramento da umidade do solo, especialmente em função do aumento da demanda hídrica das lavouras durante essa fase de desenvolvimento.

Figura 1: Precipitação Acumulada (mm), Temperatura Máxima (°C) e Temperatura Mínima (°C) para o período de 10 de junho a 19 de julho de 2026 em Cruz Alta (RS). Fonte: SISDAGRO

No entanto, a preocupação aumenta diante da previsão para os próximos quinze dias, que indica o desenvolvimento de uma área de baixa pressão sobre a Argentina, associada ao transporte de ar quente e úmido pelo Jato de Baixos Níveis (JBN). No início da semana, essa configuração deverá favorecer o retorno das chuvas em grande parte do Rio Grande do Sul e no extremo sul de Santa Catarina, onde os volumes acumulados podem ultrapassar 150 mm (Figura 2). Esse cenário eleva o potencial para a formação de tempestades, motivo pelo qual o INMET publicou aviso de tempestade de nível laranja, válido para sexta-feira e sábado, em grande parte do Rio Grande do Sul. Nas demais áreas da Região Sul, o tempo deverá permanecer firme.

Os elevados volumes de chuva previstos tendem a dificultar operações de manejo, como adubação de cobertura, aplicação de defensivos e o trânsito de máquinas, além de aumentar a favorabilidade à ocorrência de doenças fúngicas, especialmente em áreas com longo período de molhamento foliar e elevada umidade relativa do ar. Esses efeitos podem comprometer tanto o desenvolvimento das lavouras quanto a eficiência das práticas de manejo adotadas no período.

Os impactos também se estendem à pecuária. As chuvas intensas podem reduzir a qualidade das pastagens, dificultar o manejo dos rebanhos e elevar o risco de problemas sanitários associados ao excesso de umidade no ambiente. Em áreas sujeitas a inundações, há ainda potencial para perdas de infraestrutura rural, danos a estradas vicinais e dificuldades no transporte de insumos e da produção agropecuária.

Dessa forma, embora as precipitações contribuam para a reposição da umidade do solo e para a recuperação das reservas hídricas, volumes muito elevados concentrados em poucos dias tendem a aumentar o risco de impactos negativos sobre a agricultura gaúcha, principalmente em razão da saturação do solo, da interrupção das operações de campo e da maior favorabilidade à ocorrência de doenças nas culturas de inverno. Nesse contexto, tornam-se fundamentais o monitoramento contínuo das condições das lavouras e a adoção de práticas de manejo no momento adequado, de forma a mitigar riscos fitossanitários e preservar o potencial produtivo da cultura do trigo na região.

Figura 2: Previsão de precipitação acumulada (mm) para a Região Sul nos próximos 15 dias, obtida a partir do modelo Global Forecast System (GFS). Fonte: INMET.

Veja mais:

INMET - National Institute of Meteorology of the Federative Republic of Brazil published this content on July 14, 2026, and is solely responsible for the information contained herein. Distributed via Public Technologies (PUBT), unedited and unaltered, on July 14, 2026 at 20:00 UTC. If you believe the information included in the content is inaccurate or outdated and requires editing or removal, please contact us at [email protected]