09/21/2026 | Press release | Archived content
Durante um evento de alto nível realizado à margem da Assembleia Geral da ONU, Jarbas Barbosa ressaltou as lições aprendidas nas Américas e a importância de investir de maneira contínua na capacidade laboratoriais.
Nova York, 21 de setembro de 2026 (OPAS) - Contar com sistemas laboratoriais robustos é fundamental para prevenir, detectar e responder às ameaças à saúde e requer investimentos contínuos, inclusive em períodos sem emergências sanitárias, afirmou nesta segunda-feira (21/9) o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, durante um evento de alto nível coorganizado pela Fundação Mérieux USA, Weill Cornell Medicine, Centros GHESKIO e OPAS, realizado no âmbito da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
Dr. Jarbas Barbosa discursando no evento intitulado: "Crise na preparação: laboratórios e prontidão na linha de frente em tempos de Ebola".Ao participar da sessão "Crise de preparação: laboratórios e capacidade de resposta na linha de frente em tempos de ebola", Barbosa destacou as lições aprendidas nas Américas e ressaltou que a preparação laboratorial envolve muito mais do que dispor de equipamentos sofisticados ou garantir que um laboratório nacional de referência seja capaz de realizar um teste especializado. Trata-se de contar com um sistema que permita aos países detectar eventos incomuns, coletar e encaminhar amostras com segurança, realizar diagnósticos oportunos e confiáveis, compartilhar informações entre instituições e países e transformar rapidamente os resultados laboratoriais em ações de saúde pública.
Embora o vírus ebola não esteja atualmente em circulação nas Américas, a OPAS trabalha com os países da Região para se preparar para a possibilidade de casos importados. Após o surto de ebola registrado na África no início deste ano, a Organização reforçou a preparação regional e apoiou os países no fortalecimento da vigilância, do diagnóstico laboratorial, da biossegurança, da prevenção e do controle de infecções, bem como do encaminhamento seguro de amostras para laboratórios especializados.
Barbosa destacou a experiência recente com o hantavírus como um exemplo de como as capacidades laboratoriais, genômicas e epidemiológicas devem funcionar de maneira integrada. Em 2025, oito países da Região notificaram mais de 200 casos confirmados e 60 mortes. A OPAS emitiu um alerta epidemiológico, fortaleceu os protocolos de diagnóstico e realizou capacitações regionais com laboratórios de referência e Centros Colaboradores da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Argentina, nos Estados Unidos e no Panamá.
Essas capacidades foram colocadas à prova pouco depois, quando um agrupamento de casos de síndrome pulmonar por hantavírus causados pelo vírus Andes, relacionado ao navio de cruzeiro MV Hondius, tornou-se um evento de saúde pública de alcance internacional. A OPAS ajudou a estabelecer a comunicação entre os países envolvidos e a Administração Nacional de Laboratórios e Institutos de Saúde "Dr. Carlos G. Malbrán" (ANLIS-Malbrán), da Argentina, incorporando à investigação a experiência especializada dessa instituição no diagnóstico do vírus Andes.
À medida que foram identificados contatos na Espanha, no Reino Unido, nos Países Baixos e, posteriormente, no Canadá, laboratórios, epidemiologistas e autoridades de saúde pública puderam trocar informações e coordenar rapidamente suas ações.
A OPAS também colaborou com a equipe responsável pela caracterização genômica do vírus, integrando os resultados laboratoriais e genômicos à investigação epidemiológica e à avaliação de risco. Barbosa destacou que essa integração entre diagnóstico, vigilância genômica, epidemiologia e tomada de decisões em saúde pública é fundamental para uma preparação eficaz.
A Organização continua fortalecendo a vigilância genômica regional por meio da PAHOGen, sua rede regional de vigilância genômica, que conecta capacidades e conhecimentos especializados em toda a Região das Américas.
"A experiência com o hantavírus ilustra um princípio importante: nem todos os países precisam manter todas as capacidades altamente especializadas de diagnóstico ou genômica. Mas todos devem poder acessar rapidamente essas capacidades por meio de redes nacionais, regionais e internacionais confiáveis, quando precisarem delas", afirmou o diretor da OPAS.
O diretor da OPAS ressaltou que quando um evento de saúde pública ultrapassa as fronteiras de um país, não há tempo para começar a identificar especialistas, laboratórios de referência, protocolos de diagnóstico, mecanismos para transportar amostras ou canais para comunicar os resultados. Essas relações e esses mecanismos devem estar estabelecidos previamente.
Por isso, a preparação requer investimento contínuo em plataformas moleculares adaptáveis, profissionais capacitados, sistemas de gestão da qualidade, biossegurança e bioproteção, mecanismos confiáveis para o encaminhamento e transporte de amostras, cadeias de suprimentos resilientes, sistemas de informação interoperáveis e redes nacionais e regionais de laboratórios sólidas.
"A preparação é construída entre uma emergência e outra", afirmou Barbosa. "Os sistemas de vigilância, os protocolos laboratoriais, o conhecimento especializado em genômica, os profissionais capacitados e as relações de confiança que são fortalecidos durante os períodos de normalidade são as mesmas capacidades que permitem aos países detectar mais cedo os eventos incomuns, compreendê-los mais rapidamente e agir antes que se transformem em emergências de maior magnitude."
"Isso não é simplesmente um investimento em laboratórios. É um investimento em sistemas de saúde mais sólidos, em segurança sanitária, preparação e resiliência", acrescentou.
O evento reuniu líderes mundiais e regionais para debater como fortalecer os sistemas laboratoriais como um componente fundamental da prevenção, preparação e resposta a pandemias. As discussões se basearam nas lições aprendidas durante o ebola, a COVID-19, a influenza H5N1 e outras doenças infecciosas emergentes e reemergentes.
O encontro manteve o foco em soluções práticas para fortalecer os sistemas laboratoriais tanto para os serviços de saúde de rotina quanto para a preparação para pandemias, incluindo a necessidade de manter investimentos contínuos na capacidade dos laboratórios clínicos.
Entre os demais participantes estavam o Chikwe Ihekweazu, diretor executivo do Programa de Emergências Sanitárias da OMS; Robert Harrington, decano Stephen e Suzanne Weiss da Weill Cornell Medicine; e Robert Sebbag, vice-presidente da Fundação Mérieux.