09/23/2026 | Press release | Distributed by Public on 09/23/2026 14:08
Brasília, 23/9/2026 - A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta quarta-feira (23), a Operação Fake Card, que investiga um esquema de fraude envolvendo uma administradora de cartões de vale-alimentação e vale-refeição destinados a servidores públicos municipais. A apuração identificou 52 municípios afetados em dez Unidades da Federação, além de centenas de estabelecimentos comerciais e milhares de servidores atingidos. A análise financeira apontou ainda a movimentação de aproximadamente R$ 437,8 milhões nas contas da empresa investigada.
A operação foi realizada pela Polícia Civil de Goiás, por meio do Grupo de Repressão a Estelionatos e Outras Fraudes (Gref/Deic), com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), e do suporte operacional da Polícia Civil de São Paulo. O Ciberlab atuou na análise e na inteligência cibernética, auxiliando no cruzamento e no tratamento de informações relevantes para o avanço das investigações.
As apurações começaram a partir de ocorrências registradas no município de Barro Alto (GO), após comerciantes credenciados deixarem de receber valores referentes a compras realizadas com os cartões administrados pela empresa. Segundo a investigação, embora os municípios continuassem realizando regularmente os repasses à administradora, os pagamentos aos estabelecimentos teriam sido interrompidos, enquanto os canais de atendimento e o acesso ao sistema foram bloqueados. Em uma comunicação encaminhada a uma das vítimas, a empresa teria atribuído os problemas a uma suposta invasão de sistema e clonagem de cartões.
Com o aprofundamento das diligências e a integração de informações, foram identificados registros semelhantes em outros municípios brasileiros, incluindo rescisões contratuais, procedimentos administrativos, ações judiciais e ocorrências policiais relacionadas à empresa. A investigação aponta que, no período de dificuldades financeiras da administradora, entre agosto e novembro de 2025, foram identificados R$ 27,3 milhões em créditos, com transferências para contas relacionadas aos investigados.
Segundo a Polícia Civil de Goiás, há indícios de que os valores recebidos eram posteriormente movimentados por meio de outras empresas vinculadas aos investigados e de contas pessoais, o que pode caracterizar ocultação e dissimulação dos recursos. A apuração também identificou aquisição e movimentação de imóveis e veículos, que são analisadas no contexto da investigação sobre possível lavagem de capitais.
Medidas judiciais
A Justiça determinou três prisões temporárias, seis mandados de busca e apreensão, bloqueio de valores, indisponibilidade de bens e afastamento dos sigilos bancário e fiscal. As medidas foram cumpridas em endereços nos estados de Goiás e São Paulo, com a participação de 40 policiais civis.
Também foram tornados indisponíveis seis imóveis, além de veículos e outros ativos relacionados aos investigados. As medidas têm como objetivo preservar elementos de prova e identificar valores e patrimônio que possam estar vinculados aos crimes investigados.
"A investigação identificou indícios de uma atuação estruturada, com movimentação de recursos entre diferentes empresas e pessoas ligadas ao grupo. A partir da análise financeira, patrimonial e documental, buscamos esclarecer a dinâmica dos fatos, individualizar as responsabilidades e localizar os valores e bens que possam estar relacionados aos crimes investigados", afirma o delegado Thiago César de Oliveira Silva.
As investigações prosseguem para esclarecer a participação individual dos envolvidos, identificar eventuais outros integrantes do grupo e dimensionar integralmente os prejuízos causados às administrações públicas, aos estabelecimentos comerciais e aos beneficiários dos cartões.