08/14/2026 | Press release | Archived content
Brasília, 14 de agosto de 2026 - A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reuniu, entre 10 e 14 de agosto em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, atores nacionais, estaduais e municipais para discutir caminhos de implementação da iniciativa HEARTS 2.0 no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. Participaram da agenda de trabalho para fortalecer a atenção cardiovascular no país Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), estados, municípios, participação social, instituições de referência, sociedades científicas e parceiros.
A estratégia HEARTS 2.0 adota uma abordagem integrada para o manejo da hipertensão arterial, diabetes, doença renal crônica, dislipidemias e risco cardiovascular. O diálogo realizado durante a semana de trabalho colocou em evidência a qualidade da atenção e a segurança do paciente, incluindo medição precisa da pressão arterial, equipamentos clinicamente validados, protocolos baseados em evidências, acesso a medicamentos, cuidado multiprofissional e monitoramento de resultados.
O representante da OPAS e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Cristian Morales, destacou que a iniciativa HEARTS 2.0 chega para complementar e fortalecer as ações já desenvolvidas na atenção primária à saúde para o enfrentamento das doenças cardiovasculares no Brasil. A proposta é utilizar as melhores evidências disponíveis para aprimorar os processos de prescrição de medicamentos, ampliar a participação social na identificação de pessoas com hipertensão que ainda não foram diagnosticadas e aumentar significativamente as taxas de controle da doença. O objetivo é alcançar níveis de controle da hipertensão entre 70% e 80%, reduzindo de forma expressiva a morbimortalidade associada às doenças cardiovasculares.
Em mensagem de vídeo aos participantes, o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, ressaltou que o envelhecimento populacional representa uma conquista social, mas também amplia a necessidade de prevenção e controle das doenças crônicas não transmissíveis. Enfatizou ainda que as doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de morte e incapacidade nas Américas e que a iniciativa HEARTS oferece ferramentas para enfrentar esse cenário. "O Brasil possui um sistema público universal, uma rede ampla de atenção primária e uma tradição sólida de inovação em saúde pública. Ao ampliar a adoção do HEARTS, o Brasil ajudará a liderar o futuro da prevenção e do controle das doenças crônicas nas Américas, beneficiando a si mesmo e a outros países."
O assessor regional da OPAS para manejo de doenças cardiovasculares, Pedro Ordúñez, explicou que a iniciativa HEARTS se integra aos sistemas nacionais de saúde, contribuindo para a qualificação da atenção primária. Ele também mostrou aos participantes a via clínica integrada da estratégia, chamada HEARTS 2.0, que reúne de forma prática orientações para o manejo da hipertensão e de outras condições cardiovasculares, renais e metabólicas no âmbito da atenção primária.
A via clínica trata de oito pontos importantes: precisão da medição da pressão arterial; avaliação de risco de doenças cardiovasculares; protocolos de tratamento padronizados; intensificação do tratamento; continuidade dos cuidados e acompanhamento; cuidados baseados em equipes e transferência de competências; frequência de reposição de medicamentos; e sistema de monitoramento e avaliação com retroalimentação. Nas Américas, há 31 países com via clínica já desenvolvida.
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Ao fim do encontro, foram definidos os principais pontos abordados e os próximos passos para avançar nessa pauta. Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretários de Saúde e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde retomaram a construção de um caminho para implementação da estratégia HEARTS 2.0 dentro do SUS. A agenda será levada ao Grupo de Trabalho Tripartite, com diálogo nas Câmaras Técnicas do Conass e Conasems e junto aos Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde (COSEMS). Com base no trabalho e nas revisões realizadas entre 10 e 14 de agosto, a OPAS avaliou que o Brasil reúne todas as condições para implementar a iniciativa.
O HEARTS 2.0, liderado nas Américas pela OPAS, vem ganhando espaço na agenda da atenção cardiovascular em diferentes regiões do país. Durante as discussões, São Paulo e Rio de Janeiro se destacaram pelo posicionamento favorável ao avanço da implementação, enquanto Paraná alinhou a proposta ao seu processo de regionalização da saúde. Já Goiás, Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe e Distrito Federal apresentaram prioridades e caminhos possíveis para incorporar a estratégia de acordo com as necessidades e capacidades de seus territórios. No município do Rio de Janeiro, a expectativa é que o trabalho tenha início ainda em 2026, a partir da definição de indicadores e de uma linha de base que permita monitorar de forma consistente os avanços alcançados.
Outro tema que ganhou protagonismo foi a participação social, apontada como elemento essencial para fortalecer as ações de prevenção e controle das doenças cardiovasculares. O Conselho Nacional de Saúde (CNS) ressaltou o potencial da ampla rede de conselhos do SUS para ampliar o engajamento das comunidades e aproximar a população das estratégias de promoção da saúde.
Também participaram da agenda de trabalho a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES/GO); Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES/DF); Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB); Secretaria da Saúde do Estado do Paraná (SES/PR); Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (SESAP/RN); Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ); Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS.RJ); Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo (SES/SP); Hospital Moinhos de Vento; Einstein Hospital Israelita; Hospital Alemão Oswaldo Cruz; Hospital Sírio Libanês; Banco Mundial; Conselho Nacional de Saúde (CNS); Instituto Nacional de Cardiologia (INC); Associação Brasiliense de Medicina de Família e Comunidade (ABMFC); ACT Promoção da Saúde; Rede Brasileira de Universidades Promotoras de Saúde (ReBraUPS); Conselho Federal de Farmácia (CFF); Grupo Mulheres do Brasil; Instituto Lado a Lado; e Universidade Federal de Ouro Preto (UFOPS).