Cerca de uma centena de pessoas manifestou-se neste domingo junto ao Quartel da Graça, em Lisboa, contra a instalação de um hotel de luxo no antigo edifício militar, numa iniciativa onde estava previsto participarem elementos da Acampada de Lisboa.A iniciativa, que decorreu entre as 14:00 e as 18:00, foi promovida pela Assembleia da Graça - Parar o Hotel no Quartel e juntou música, venda de comida e intervenções contra a especulação imobiliária e a gentrificação da cidade."Menos Turismo e mais Bairro" e "Menos Hotéis e Mais Casas" eram alguns dos cartazes que se podiam ler neste protesto, que reuniu cerca de uma centena de pessoas, apesar da chuva.Em declarações aos jornalistas, Mariana Soares, membro do movimento, explicou que a contestação à construção de um hotel no Quartel da Graça dura há mais de dois anos e que a mobilização se intensificou nos últimos meses, perante o avanço das obras. "É preciso continuar a resistir porque as obras aceleraram imenso desde o verão", apontou.Mariana Soares explicou que os moradores pretendem que o quartel seja destinado a equipamentos e atividades ao serviço da comunidade, incluindo espaços culturais, artísticos e associativos, habitação, uma biblioteca e infraestruturas para jovens e idosos."Defendemos que o quartel seja utilizado para benefício da comunidade. Defendemos que haja aqui cultura, arte, habitação e um centro associativo local, que não tem muitas vezes espaço para praticar as suas atividades e para reunir com as pessoas", queixou-se.A Acampada de Lisboa tinha decidido, em Assembleia Popular, participar nesta ação de protesto, mas não existiu nenhuma manifestação pública destes elementos.O Quartel da Graça, situado na freguesia de São Vicente, integrou a lista de imóveis históricos a reabilitar no âmbito do programa Revive, apresentado em 2019 pelo então Governo do PS. A concessão foi atribuída ao grupo Sana por 50 anos, com uma renda anual de 1,79 milhões de euros, para a instalação de um hotel de cinco estrelas.O investimento inicialmente estimado para o projeto foi de 30 milhões de euros, com abertura prevista para o final de 2022. Contudo, o prazo não foi cumprido e as obras de construção apenas arrancaram em 2026.Em julho, o movimento Parar o Hotel no Quartel da Graça alertou para uma possível perda de 13 milhões de euros para o Estado caso seja aceite o pedido do grupo Sana para adiar o início dos pagamentos das rendas para março de 2030.O grupo hoteleiro justificou o pedido com a demora na obtenção da licença necessária para as obras. O Ministério das Finanças solicitou um parecer jurídico à sociedade de advogados PLMJ para avaliar o caso.