Presidency of the Portuguese Republic

07/02/2026 | Press release | Distributed by Public on 07/02/2026 14:48

Intervenção no jantar comemorativo dos 80 anos da Mota-Engil

O meu agradecimento pelo convite para participar nesta evocação dos 80 anos da Mota-Engil. E, antes de mais, os parabéns pelos oitenta anos, e também pela conferência realizada ao longo do dia, que foi um convite à reflexão sobre os desafios que todos enfrentamos.

Contactos pessoais e profissionais permitiram-me acompanhar parte da vossa história e o mérito de uma família em consolidar um dos projetos empresariais mais relevantes de Portugal.

E permitam-me uma nota que considero essencial. Desde a origem, como Mota & Companhia, o traço humano do seu fundador, Manuel António da Mota, faz parte do ADN desta empresa. Foi uma qualidade marcante no Engenheiro António Mota, falecido no ano passado, e cuja memória aqui evoco com respeito. Estou certo de que o Engenheiro Carlos Mota Santos saberá preservar esse ADN e dar continuidade ao sucesso da Mota-Engil.

Senhoras e Senhores,

De certa forma, o sucesso da Mota-Engil contribui também para o sucesso de Portugal. Porque esta é uma empresa envolvida em projetos estruturantes para o desenvolvimento do país. Rodovia, ferrovia, hospitais, aeroportos, mobilidade, drenagem urbana são alguns exemplos. Obras que mudam a vida das pessoas e a competitividade da economia.

É essencial que esses projetos se realizem e que se realizem em tempo oportuno. Sei bem que a jusante do financiamento se colocam constrangimentos que ganharam complexidade e que são determinantes para a nossa capacidade de os concretizar. E digo nossa de forma deliberada, porque muitas dessas condicionantes derivam de políticas públicas.

E não temos muito tempo. Os meios são escassos, isso já o sabemos. Mas a esse desafio juntam-se prazos cada vez mais apertados, incompatíveis com decisões lentas e titubeantes. O país tem de aprender a decidir melhor e a decidir mais depressa, porque a indecisão também tem um custo, e quem o paga é o desenvolvimento do país.

Aliás, ritmo foi uma das marcas, quer da conferência de Mario Draghi desta tarde, quer também das palavras que o CEO da Mota-Engil nos dirigiu.

Ritmo que precisamos de acertar. Entre público e privado. Entre Portugal e a Europa. Ritmos para que quem quer empreender veja nas entidades públicas e, em particular, no Estado e na União Europeia, não uma dificuldade, não um atraso, não uma lentidão, mas um parceiro para ajudar a concretizar esses projetos que tanto fazem falta ao nosso desenvolvimento.

Senhoras e Senhores,

Em qualquer celebração é nosso dever olhar para o futuro. Definir apostas estratégicas. Estabelecer prioridades. E garantir capacidade de resposta para situações de crise, como as que vivemos recentemente, e para as quais a Mota-Engil deu um importante contributo, ajudando a minorar os problemas dos portugueses. Esse é, também, o papel de uma grande empresa: estar presente quando o país mais precisa.

Na antevisão do futuro, a Mota-Engil foi sábia ao apostar, cedo, na internacionalização. Logo no ano da sua fundação, ao iniciar atividade em Angola. Uma aposta reforçada há cerca de duas décadas e cujos resultados são hoje inquestionáveis.

A presença em mais de vinte países. Mais de cinquenta mil colaboradores. Um volume de negócios superior a cinco mil milhões de euros. São números de uma escala que pouquíssimas empresas portuguesas alcançaram. Junta-se uma aposta que valorizo particularmente. A formação de quadros locais nesses países, designadamente através de centros de formação próprios. O resultado é uma sinergia que cria enraizamento e valoriza a presença de Portugal.

A internacionalização, a diversificação da atividade, a preservação de uma identidade nacional em parceria com um investidor estratégico, como a China Communications Construction Company, todos estes fatores são importantes contributos para confiarmos num futuro promissor para a Mota-Engil, para todos os que trabalham no Grupo e no que isso se traduz de efeitos positivos para Portugal.

Senhoras e Senhores,

Oitenta anos é uma idade de provas dadas e que, ainda assim, continua a construir. É essa, afinal, a vocação que está na génese da Mota-Engil: construir.

Estradas e pontes, sim. Mas também o futuro, confiança e a prova de que uma empresa portuguesa tem qualidades para competir em qualquer parte do mundo.

Que os próximos oitenta anos sejam tão promissores como os que hoje celebramos.

Os meus parabéns, e os meus votos sinceros de sucesso.

Muito obrigado.

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