PCdoB - Partido Comunista do Brasil

08/10/2026 | News release | Distributed by Public on 08/10/2026 12:42

PCdoB: unidade dos povos contra o imperialismo e o fascismo

Foto: Juvenal Balán
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O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) defendeu o fortalecimento da unidade internacional dos povos e das forças progressistas no enfrentamento ao imperialismo, ao fascismo e às ameaças à soberania das nações. A posição foi apresentada por Ana Prestes, secretária de Relações Internacionais do Comitê Central do PCdoB, durante o 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO), realizado em Havana, Cuba, no último sábado (8).

Em seu pronunciamento Ana Prestes abordou a crise do capitalismo, a emergência de uma ordem mundial multipolar, as ofensivas dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe, a situação na Palestina, a defesa de Cuba e da Venezuela e os desafios políticos enfrentados pelo Brasil. A dirigente também ressaltou a necessidade de ampliar a solidariedade internacionalista e a unidade das forças democráticas, populares, antifascistas e anti-imperialistas. Leia abaixo a íntegra do pronunciamento.

Estimados camaradas do Partido Comunista de Cuba, heroicos anfitriões deste encontro,

Representantes das delegações internacionais de diversos países e partidos irmãos,

Camaradas,

Trago a todos e todas a mais calorosa e fraterna saudação do Partido Comunista do Brasil, o PCdoB. Agradecemos profundamente a oportunidade de estar aqui, na vibrante e resistente Havana, para compartilhar nossas reflexões sobre o momento histórico que atravessamos e reafirmar nossos compromissos internacionalistas inabaláveis. Estar em Cuba é, por si só, um ato de solidariedade e de resistência. Daqui, saudamos, no centenário do seu nascimento, o legado deste gigante da humanidade, Fidel Castro Ruz, cujo exemplo e pensamento nos alentam e orientam. Repudiamos com veemência a escalada genocida do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelo imperialismo estadunidense contra a Ilha da Liberdade, agora combinado com inaceitáveis ameaças de agressão militar. A resistência de Cuba é a resistência de todos os povos que lutam por soberania e justiça. Cuba não está só!

Camaradas, vivemos um momento de profunda transição geopolítica e de agravamento da crise sistêmica e estrutural do capitalismo. O sistema capitalista, comandado por uma oligarquia financeira parasitária, evidencia de forma clara o seu esgotamento histórico. Ele não tem a oferecer à humanidade senão a estagnação econômica, a precarização brutal das relações de trabalho, a devastação ambiental e a marcha rumo à barbárie. A financeirização da economia global atingiu níveis assombrosos, com o estoque de capital fictício superando de longe a produção real de riquezas. Esse deslocamento gera instabilidade constante, concentra a riqueza nas mãos de uma ínfima minoria e produz crises recorrentes que penalizam os trabalhadores e os países da periferia do sistema.

Leia também: Em Havana, EIPCO reafirma unidade anti-imperialista e legado de Fidel

Vemos também como as imensas possibilidades abertas pela revolução tecnológica e científica chocam-se brutalmente com as amarras das relações de produção capitalistas. Sob o controle estrito dos monopólios e das gigantes corporações digitais, as chamadas big techs, as inovações tecnológicas têm servido para intensificar a exploração da classe trabalhadora. Essa superexploração é frequentemente disfarçada sob o falso manto do "empreendedorismo", que retira direitos e joga milhões na informalidade. Além disso, essas plataformas consolidaram um poderoso sistema digital ideológico. Elas atuam como verdadeiras armas de guerra híbrida, disseminando desinformação, manipulando consciências e fomentando o ódio, o racismo e o neofascismo em escala global.

No entanto, a história não está paralisada. A transição para um mundo multipolar é uma realidade incontornável. Assistimos ao declínio relativo e progressivo da hegemonia dos Estados Unidos, marcado por sua desindustrialização, por impasses estratégicos, por erosão da sua capacidade de liderança moral e por crônicos problemas econômicos. Em nítido contraste, presenciamos a ascensão de novos polos dinâmicos de poder. Destacamos aqui o papel fundamental da China socialista, que demonstra ao mundo a superioridade de um sistema voltado para o desenvolvimento nacional e o bem-estar de seu povo. Destacamos também o acelerado progresso do Vietnã. Os povos da Coreia Popular e da República Popular Democrática do Laos igualmente seguem firmes no rumo da construção socialista. O Sul Global ergue-se com força renovada para reivindicar seu direito inalienável ao desenvolvimento autônomo. O socialismo reafirma-se no século XXI como a única alternativa viável à lógica destrutiva do capital.

Diante da perda de sua primazia, o imperialismo estadunidense, agora sob a liderança agressiva de Donald Trump, reage com enorme violência. Para tentar reverter a marcha inexorável da história, os Estados Unidos recorrem à força bruta, ao protecionismo extremado, às sanções ilegais e ao belicismo. A política externa de Washington busca esvaziar os espaços multilaterais e impor sua vontade unicamente pela chantagem.

Repudiamos a escalada criminosa de agressões no Oriente Médio. O mundo assiste horrorizado, mas não passivo, ao genocídio do povo palestino na Faixa de Gaza e nos territórios ocupados, promovido pelo Estado terrorista de Israel com o respaldo direto dos Estados Unidos. Condenamos de forma veemente essa limpeza étnica. Exigimos o reconhecimento pleno de um Estado Palestino soberano e independente, com capital em Jerusalém Oriental. Os palestinos não se dobram e não se rendem. Merecem, de todos os humanistas e de todos os países livres, o mais ativo apoio em sua justa luta.

O imperialista é poderoso, mas está longe de ser invencível. Estados Unidos e Israel vêm colhendo derrotas constrangedoras em sua guerra contra a República Islâmica do Irã e os ataques contra o Líbano têm recebido eficaz resposta das forças do eixo da resistência.

Na Europa, a contínua expansão da Otan para o Leste alimenta a guerra por procuração na Ucrânia, demonstrando a recusa do Ocidente em aceitar uma arquitetura de segurança compartilhada. O regime abertamente neonazista de Zelensky enfrenta crises seguidas e mesmo com apoio milionário está fadado à derrota.

Na América Latina e no Caribe, nossa região, a ofensiva imperialista ganha contornos de um neocolonialismo aberto. A famigerada Doutrina Monroe foi renovada e é aplicada com o apoio servil de governos e forças de extrema direita locais. O anticomunismo mais rasteiro, de inspiração fascista, retorna praticamente com a mesma roupagem da época da guerra fria, servindo como pretexto para as ameaças, cercos e agressões.

Denunciamos o criminoso ataque à Venezuela bolivariana, que resultou na morte de venezuelanos e cubanos e culminou com o sequestro absurdo do legítimo presidente Nicolás Maduro e da deputada Cília Flores. Ao presidente Maduro, a Cília Flores, ao povo venezuelano e aos combatentes que pereceram neste ataque infame, nossa solidariedade militante e nossa homenagem eterna.

O objetivo claro de Washington é anular qualquer esforço de integração latino-americana e submeter nossos países à condição de Estados títeres. Eles têm os olhos cobiçosos voltados para as nossas imensas riquezas naturais e buscam barrar nossa articulação com os novos polos do mundo multipolar.

O Brasil, pelo seu peso econômico e político, é um alvo estratégico prioritário dessa ofensiva. O governo de Donald Trump, atuando em conluio direto com a extrema direita brasileira, liderada pelo clã Bolsonaro, ataca abertamente a soberania do nosso país. Impõem tarifas extorsivas, chantageiam nossa economia e tentam interferir de forma inaceitável em nossas instituições. O objetivo central dessa investida é impedir que o Brasil exerça seu papel de Estado soberano, defensor da integração solidária da América Latina e da conformação de novas relações internacionais, baseadas no respeito à noção básica de que cada povo tem direito de escolher livremente seu modelo de democracia e de desenvolvimento.

Mas eles encontram e encontrarão firme resistência. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reagido com altivez, defendendo a democracia e a soberania nacional.

No Brasil, o PCdoB atua na linha de frente dessa batalha histórica, contribuindo com a reconstrução do país, e, ao mesmo tempo, estamos nas ruas, mobilizando a classe trabalhadora para defender a nação, derrotar definitivamente os traidores neofascistas e assegurar um novo ciclo de desenvolvimento. Sabemos perfeitamente que a eleição presidencial de outubro de 2026 terá uma dimensão tático-estratégica decisiva. De um lado, estará a ampla frente em defesa da democracia, da reindustrialização e da integração regional; do outro, o neofascismo antinacional, financiado pela oligarquia financeira e a serviço direto do imperialismo estadunidense. Derrotá-los nas urnas e nas ruas é a nossa missão central.

Camaradas, a memória histórica do século 20 nos ensina uma lição que não podemos esquecer: o fascismo nunca deve ser subestimado. Ele é o recurso extremo e autoritário do capitalismo em crise profunda. Quando as forças progressistas se fragmentam, o autoritarismo avança. Para enfrentá-lo com sucesso, é fundamental construir uma ampla e sólida unidade das forças democráticas, patrióticas e populares em cada um de nossos países. E, no plano internacional, é imperativo fortalecer os laços de solidariedade e a cooperação ativa das forças antifascistas e anti-imperialistas.

E para nós, comunistas, a luta pela defesa do meio ambiente e o enfrentamento corajoso da crise climática são partes inseparáveis da luta anti-imperialista. Não haverá salvação para o planeta sob a lógica da maximização do lucro capitalista; a verdadeira sustentabilidade exige um desenvolvimento com justiça social e novas relações de produção.

Camaradas, a nossa força reside na nossa unidade. A defesa intransigente da paz mundial, a proteção urgente do nosso planeta comum, a luta implacável contra o fascismo e o combate diário ao imperialismo são bandeiras que convergem e se unificam na grande jornada pela emancipação dos trabalhadores e de todos os povos oprimidos.

O socialismo não é uma relíquia do passado. O socialismo, rumo ao comunismo, ressurge no horizonte do século XXI não apenas como uma necessidade histórica urgente diante da crise civilizatória, mas como uma construção real, pujante e vitoriosa. É a única via capaz de harmonizar o formidável desenvolvimento das forças produtivas com a mais ampla justiça social, a verdadeira democracia e o equilíbrio ambiental.

Sigamos firmes na luta, com a certeza de que estamos do lado certo da história. A transição de hegemonia nunca é pacífica, mas a vitória, inevitavelmente, pertence aos povos que ousam lutar e que não se rendem!

Viva a inquebrantável solidariedade internacionalista dos trabalhadores e dos povos!
Viva a luta incansável pela paz e contra o imperialismo!
Viva o Socialismo e o comunismo!
Viva Fidel, viva a heroica Cuba e seu povo indômito!
Venceremos! Muito obrigada.

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Edição: Bárbara Luz

PCdoB - Partido Comunista do Brasil published this content on August 10, 2026, and is solely responsible for the information contained herein. Distributed via Public Technologies (PUBT), unedited and unaltered, on August 10, 2026 at 18:42 UTC. If you believe the information included in the content is inaccurate or outdated and requires editing or removal, please contact us at [email protected]