O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, afirmou hoje que Portugal poderá opor-se ao próximo orçamento da União Europeia para o período 2028-2034 caso não sejam salvaguardados os princípios da política de coesão.
As declarações foram feitas à margem da reunião informal dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, que decorre em Chipre.
"Qualquer perspetiva que possa consagrar um desrespeito por esse princípio terá a nossa oposição firme e fundamentada. Não estamos aqui a reclamar nem a pedinchar nada, estamos aqui a ser parte ativa de um processo de afirmação do bloco", sublinhou.
Orçamento europeu e convergência
O Primeiro-Ministro referiu que o próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia aponta para um modelo de "fundos mais competitivos", com maior concorrência entre Estados-Membros, cenário para o qual Portugal diz estar preparado.
Defendeu, contudo, que não deve ser descurada a política de coesão nem interrompido o caminho de convergência, salientando que Portugal ainda não ultrapassou os 90% da média europeia.
Diálogo internacional e apoio à Ucrânia
No plano internacional, o Primeiro-Ministro destacou a importância do diálogo para a resolução de conflitos, admitindo aspetos positivos na eventual participação da Rússia em fóruns internacionais como o G20.
Saudou ainda a aprovação do empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, considerando tratar-se de "um grande passo", e reafirmou o compromisso de Portugal com o cumprimento das decisões europeias, incluindo em matéria de migrações.