06/07/2026 | Press release | Distributed by Public on 06/07/2026 12:23
Discurso do Presidente da Comissão organizadora do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Miguel Monjardino
É com alegria que participo convosco nesta festa de Portugal que hoje celebramos na cidade do Luxemburgo por ocasião das Comemorações do Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas.
Gostaria de vos falar de três coisas. A primeira é sobre Portugal e o Luxemburgo. Ao longo seis décadas, este país tem sido uma fonte de esperança para milhares de portugueses que aqui encontraram um país que os acolheu. Relembro Heroína de Pina e o seu marido Carlos Pina, que em 1965 organizaram a primeira celebração do 10 de Junho no Luxemburgo.
Ao olhar para esta sala, com tantos portugueses, cidadãos luxemburgueses descendentes de portugueses, Vossa Alteza Real, Grão-Duque do Luxemburgo, o Presidente da República de Portugal, o Presidente da Câmara dos Deputados do Luxemburgo e o Primeiro-Ministro de Portugal, vemos a longa viagem de dois países através de uma época da história europeia.
Como o Grão-Duque Guillaume afirmou ontem no seu discurso, a comunidade portuguesa ocupa agora um "lugar essencial" na vida do Luxemburgo. O trabalho, o talento e o investimento dos portugueses também contribui para o dinamismo, a diversidade e a inovação na sociedade e economia do Luxemburgo. Mas também há mais interesse, atenção e conhecimento dos decisores luxemburgueses em relação a Portugal. Alguns políticos são adeptos de clubes de futebol portugueses. Até do Sporting Clube de Portugal, imagine-se.
A segunda coisa de que vos gostaria falar é a importância da Educação numa democracia liberal. No nosso dia nacional celebramos Camões, um poeta prodigioso. No final de Os Lusíadas, ele escreveu: "Nem me falta na vida honesto estudo". Vale a pena repetir estas palavras aqui: "Nem me falta na vida honesto estudo."
Camões leu as crónicas históricas nacionais e escritores portugueses, castelhanos e italianos. Em Portugal e nas suas viagens na Ásia, leu e conversou com alguns dos grandes cientistas do seu tempo: Duarte Pacheco Pereira, Tomé Pires e Garcia da Orta.
Esta educação deu-lhe um profundo conhecimento da língua portuguesa que ele explorou até ao limite do possível. Para os Portugueses, o domínio da nossa língua, e das línguas das sociedades em que escolheram viver, é crucial para o seu presente e futuro. Também é importante para a nossa Cultura.
O génio poético, as suas viagens e conhecimento práctico, deram a Camões uma grande sensibilidade histórica. Ele sabia que vivia numa época de mudança em Portugal, na Europa e no Oriente.
Esta é a terceira coisa de que vos gostaria falar. O Luxemburgo tem sido importante na metódica construção da União Europeia que conhecemos. Jean-Baptiste Nicolas Robert Schuman nasceu aqui nesta cidade. Há 76 anos, a Declaração Schuman propôs a fundação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, a primeira instituição supranacional europeia.
Há 46 anos, o Acordo de Schenghen acabou por levar à livre circulação de pessoas em alguns países europeus. Com o tempo, passou a fazer parte da legislação da União Europeia. Há 40 anos, Portugal tornou-se membro da Comunidade Económica Europeia.
Aqui estão instituições como o Tribunal de Justiça da União Europeia, o Banco Europeu de Investimento, o Mecanismo Europeu de Estabilidade e, por exemplo, a Parceria Europeia para a Computação de Alto Desempenho.
Desde o início da década, vivemos a Grande Ruptura, uma nova época cujos contornos ainda não compreendemos bem. Mas, tal como Camões há muitos anos, sentimo-la todos os dias. Aqui no Luxemburgo. Em Portugal também.
Esta mudança histórica terá profundas consequências na Segurança e Defesa, Agricultura, Ciência, Indústria, Energia e Finanças de todos os países europeus. Todos. Juntos, vamos ter de repensar muitas coisas sobre a NATO e a União Europeia nos próximos anos.
Para nós, a Europa é democracia, estado de Direito, valores políticos, decência na vida pública e a defesa dos interesses permanentes dos países do Velho Continente.
Mas temos de reconhecer que para defendermos esta Europa, necessitaremos de gerar poder no continente europeu e no Atlântico. Poder para nos defendermos. Poder para persuadirmos. Finalmente, poder para dissuadir. Como o faremos? Esta não é altura para alimentarmos ilusões.
É tempo de nos prepararmos devidamente, e com confiança em relação ao futuro, para este facto.