Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

11/14/2025 | Press release | Distributed by Public on 11/14/2025 15:23

Técnicos e comunidades discutem como potencializar a bioeconomia amazônica

O painel realizado na tarde dessa sexta-feira (14), na AgriZone, abordou desafios e oportunidades para potencializar as cadeias produtivas da sociobiodiversidade amazônica. O debate reuniu gestores e especialistas da Embrapa, MDIC, ApexBrasil, Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), União Europeia, Amabio, Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia e Rede Bragantina de Economia Solidária.

Na pauta, criação de novos mercados, propriedade intelectual, agregação de valor, cooperação internacional, fortalecimento do cooperativismo, tecnologia e inovação para as cadeias da bioeconomia. Em 2024, de acordo com Pedro Netto, representante regional Norte da ApexBrasil, a região exportou cerca de 1 bilhão de dólares em produtos compatíveis com a floresta em pé. "Mas isso representa somente 0.3% desse mercado global que movimenta em torno de 300 bilhões anualmente", afirmou.

E quais os desafios da bioeconomia? Nazaré Reis, da Rede Bragantina, que em parceria com a Embrapa, desenvolve o projeto Rede Quirera, diz que no campo da comercialização ainda persistem alguns gargalos, como embalagens, tempo de prateleira e selos. "São questões que podem ser superadas com conhecimento e fortalecimento de redes entre pesquisa, poder público e comunidades", relata. Ela ressalta ainda que é preciso buscar uma bioeconomia que agregue valores culturais, sociais e econômicos para as comunidades.

Para Juliana Pires, diretora de Política de Propriedade Intelectual e Infraestrutura de Qualidade do MDIC, é necessário fazer a ponte entre quem produz o conhecimento e aquele que precisa das tecnologias para agregar valor aos produtos. "Isso é fundamental para que inovações geradas pela ciência não fiquem na prateleira", acrescentou.

Pires reforçou que produtos da biodiversidade podem se beneficiar com a propriedade intelectual, marcas, selos e outros instrumentos que valorizam a origem desses produtos. "Propriedade intelectual traz valor, marcas coletivas trazem valor", frisou.

Dar escala à bioeconomia é um dos focos do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA). O diretor geral do CBA Márcio Miranda afirma que é preciso olhar para diferentes mercados, sejam eles grandes ou pequenos. "Como levar o valor da floresta para o mercado internacional? A bioeconomia não pode deixar ninguém para trás, todos os atores das cadeias devem crescer juntos", destacou.

Preços jutos, embalagem, boas práticas, tempo de prateleira também foram pontos abordados no painel. Adrian Leip, chefe do setor de Bioeconomia da União Europeia, ressaltou o papel da cooperação internacional para impulsionar esse mercado. Mas ressalta que "a bioeconomia amazônica precisa ser entendida por todos, ter como base a restauração e conservação da floresta, criar um arcabouço de financiamento e ampliar e fortalecer a cooperação".

A terras indígenas representam 13% do território nacional e somadas a elas estão as áreas de proteção ambiental. As pessoas que estão nesses locais, como povos indígenas, comunidades tradicionais e da agricultura familiar tecem a trama que protege a floresta, segundo os especialistas.

"Trabalhar competências e organizações, mobilizar o microcrédito e ativar redes sociotécnicas são ações necessárias para impulsionar as iniciativas da região", ressalta Alexandre Goulart, da Amabio, programa da Agência Francesa de Desenvolvimento com o Banco da Amazônia.

"Há muitas iniciativas e projetos no território. É preciso reunir essas experiências e dados para dar visibilidade e reconhecer a bioeconomia como um setor econômico", acredita Joana Oliveira, secretária executiva da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia.

A diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler, encerrou o painel reforçando o papel da cooperação nacional e internacional para escalonar a bioeconomia. "É preciso gerar oportunidades para as comunidades amazônicas para que os produtos da sociobiodiversidade entrem em programa públicos e mercados nacionais e internacionais", finalizou.

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