10/29/2026 | Press release | Distributed by Public on 10/29/2026 08:34
Com o tema "Ciência Delas", a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) 2026, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), convoca a comunidade científica e educacional a ampliar a participação e o protagonismo das mulheres na produção e difusão do conhecimento. A iniciativa nacional destaca que o fortalecimento da inovação e o avanço da ciência brasileira dependem da superação de desigualdades históricas e da garantia de um ambiente acadêmico inclusivo e diverso. O texto norteador para a escolha do tema da 23ª SNCT pode ser acessado aqui.
Alinhado a essa agenda transformadora, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destaca a contribuição do estudo "Desigualdade de Gênero na Ciência", de autoria da Dra. Myanna Lahsen, Pesquisadora Titular do INPE. Publicado na plataforma The Conversation, a pesquisa apresenta uma análise abrangente sobre o chamado "efeito tesoura" na ciência brasileira: embora as mulheres sejam maioria na graduação (57%) e entre os bolsistas de pós-graduação da Capes (53%), sua representação diminui progressivamente conforme a carreira acadêmica avança. Nos patamares mais elevados - como na concessão de bolsas de produtividade em pesquisa, na ocupação de cargos de liderança institucional e na composição de comitês julgadores -, a presença masculina torna-se amplamente predominante.
O estudo da pesquisadora sintetiza evidências nacionais e internacionais para demonstrar que essa disparidade não decorre de falta de mérito ou de atos explícitos de hostilidade, mas sim de vieses implícitos e rotinas institucionais consolidadas. Processos de avaliação considerados neutros e meritocráticos frequentemente submetem as mulheres a exigências mais rigorosas e a múltiplos critérios de desempenho, avaliando homens por seus pontos fortes e mulheres por suas vulnerabilidades percebidas. Além disso, barreiras culturais como o "teto de vidro" e a sobrecarga desproporcional do trabalho doméstico e de cuidado ampliam as assimetrias e dificultam a ascensão profissional das cientistas.
Para superar esses obstáculos sistêmicos, Myanna Lahsen defende que as instituições acadêmicas adotem medidas concretas e pautadas em evidências empíricas. Entre as principais recomendações propostas estão o monitoramento regular de indicadores de contratação, promoção e distribuição de recursos, a transparência nos processos de avaliação por pares, a implementação de treinamentos antidiscriminatórios permanentes e a formulação de políticas afirmativas que protejam as trajetórias femininas. Para a autora, a própria ciência deve submeter seus mecanismos de avaliação ao mesmo rigor analítico que aplica aos seus objetos de estudo.
A articulação entre os diagnósticos trazidos pelo estudo e as diretrizes da SNCT 2026 evidencia que a promoção da equidade de gênero é um requisito fundamental para o avanço do conhecimento. Enfrentar as barreiras estruturais apontadas pela pesquisa e garantir o protagonismo das mulheres na ciência constituem passos essenciais para consolidar um sistema nacional de inovação mais robusto, plural e preparado para os desafios do país. O estudo completo pode ser acessado aqui.