Luz Saúde SA

11/04/2026 | Press release | Distributed by Public on 11/04/2026 11:27

Simpósio Outubro Rosa: as artes e a vida para além do cancro da mama

Doentes e profissionais de saúde partilharam experiências, informação e conselhos nesta sessão especial do Hospital da Luz Lisboa.

O auditório do Hospital da Luz Lisboa estava cheio e toda a gente se levantou para aplaudir de pé o que acabara de ver: a atuação de Ana Gamito Jorge, dançando, primeiro sozinha e depois com a filha Sofia, numa coreografia de dança contemporânea que estava longe de imaginar ser capaz de fazer há quatro anos, quando foi diagnosticada com cancro da mama. A sua história foi uma das que foram partilhadas no passado dia 30, durante a sessão especial do Outubro Rosa que o Centro de Oncologia organiza anualmente, reunindo profissionais de saúde e mulheres que aqui são acompanhadas para conversarem sobre cancro da mama.

'Para além da doença' era o tema deste ano. As informações prestadas pelos profissionais de saúde sobre cuidados a ter no cancro e depois as histórias de três mulheres acompanhadas no Hospital da Luz demonstraram bem que há vida para além da doença e porquê.

Após uma curta sessão de abertura - com José Luís Passos Coelho, diretor do Centro de Oncologia, a cirurgiã Paulina Lopes, a radio-oncologista Telma Antunes e a enfermeira Graça André -, a oncologista Catarina Pulido moderou um debate que congregou as diferentes 'artes' que são fundamentais no cancro da mama:

  • Lina Gois, fisioterapeuta, explicou por que a fisioterapia deve ser chamada a intervir desde o início, "ainda antes da cirurgia e dos tratamentos": "O plano de exercício tem de ser estruturado e individualizado, consoante as necessidades de cada mulher".
  • "Muitas pessoas, mal recebem o diagnóstico, começam a fazer restrições alimentares (deixam de comer hidratos, por exemplo) e isso pode levar a desnutrição", alertou Cristina Gonçalves, coordenadora de Dietética e Nutrição do Hospital da Luz Lisboa. Ora, "a dieta deve ser equilibrada, mediterrânica, 'próxima' da terra - ou seja, rica em consumo de fibra, vegetais, proteína (com carne e peixe), ómega 3, etc. - e adequada às necessidades da pessoa naquele momento".
  • Catarina Pinheiro abordou o papel do médico de família no acompanhamento das doentes com cancro da mama, desde os rastreios ao seguimento após os tratamentos, e o cirurgião Rodrigo Oom explicou por que a sua 'arte' se preocupa cada vez mais com a existência de doenças prévias na mulher (diabetes, por exemplo) e certos fatores de risco (como o tabaco). E ainda, por exemplo, por que as doentes em tratamento andam como uma espécie de 'carica' pequena debaixo do braço, implantada na pele: "O tratamento endovenoso acaba por estragar as veias e colocamos esse cateter debaixo do braço, que é mais cómodo, além de ficar mais perto do coração e, por isso, 'espalhar' melhor o medicamento no sangue".
  • "Somos a fita-cola de toda a equipa e também o carro-vassoura, pois ninguém fica para trás", respondeu a enfermeira Albertina Santos, quando lhe perguntaram quem é e o que é o Nurse Navigator. "Numa jornada complexa como a do processo oncológico, o enfermeiro navegador é o suporte permanente do doente. Não substituímos ninguém, facilitamos a comunicação com os outros especialistas", acrescentou.

'10% da vida são coisas que nos acontecem, o resto é como a encaramos'

Depois das múltiplas 'artes' que tratam o cancro da mama, foi a vez de três mulheres darem testemunho da sua 'arte' em lidarem com ele.

Rita Cunha de Eça, psicóloga clínica, e Carla Miguel, técnica coordenadora da Radioterapia do Hospital da Luz, apresentaram a "dança entre gerações", de Ana Gamito Jorge e a filha - exemplo de como as artes propriamente ditas (música, dança, teatro, fotografia, pintura, artesanato, etc.) proporcionam experiências de grande impacto, de tal forma que, para os doentes, podem ser "um complemento dos tratamentos". No caso de Ana, permitiu-lhe "ir mais além, fazer algo completamente diferente".

Durante uma conversa que foi conduzida pelo oncologista João Godinho, a psicóloga clínica Tânia Muñoz contou como, depois da doença, se tornou atleta federada de natação, enquanto a gestora Hélia Almeida caminha quilómetros atrás de quilómetros, em viagens por outros países.

  • "Andava com muitas dores nas costas, fui tomando medicamentos e um dia acordei com dormências nos pés e nas pernas. Ao fim de uma hora, já não conseguia andar. No hospital, os exames revelaram metástases nos ossos que tinham causado a fratura numa vértebra, o que estava a comprimir a medula. Fiz cirurgia para descomprimir e limpar algumas metástases, estive em cuidados intensivos e internada 50 dias. O tumor primário era cancro da mama. O primeiro diagnóstico foi que nunca mais voltaria a andar, mas pensei 'isto não vai ficar assim, eu vou conseguir andar'. Comecei a fazer fisioterapia com a Lina Gois, logo desde o primeiro dia, foi um trabalho muito importante", contou Hélia Almeida.
  • Antiga gestora financeira numa multinacional, Hélia teve de reformar-se devido à doença, mas conseguiu mesmo voltar a andar e, sempre que possível, viaja para sítios do mundo onde sempre quis ir, em viagens preparadas com o apoio do médico João Godinho e de outros profissionais. As viagens "cansam muito as pernas, mas a cabeça vem espetacular!"
  • "Eu disse ao médico radiologista: 'estou bem e sou uma felizarda porque tenho filhas fantásticas e amigos maravilhosos'", recordou Tânia Muñoz, que descobriu que tinha cancro numa mamografia de rotina. "Na vida, 10% são coisas que no acontecem e o resto é a forma como a encaramos", acrescentou a psicóloga clínica, que encontrou na natação e nos diferentes estilos desta modalidade - desde mariposa a bruços, em piscina, e provas em águas abertas - os desafios de que precisava. "O exercício ajuda-me em tudo. A melhor sensação é no final do treino: tenho o dia feito!", conta. Já ganhou uma medalha de prata e uma menção honrosa.
  • "O mais importante agora é honrar o meu tempo e o meu potencial, descobrir o que posso fazer melhor", afirma Tânia. Para Hélia, "a arte está em viver o presente, dar valor às pequenas coisas da vida". Por exemplo: "O primeiro dia em que consegui voltar a tomar banho sozinha foi uma felicidade enorme e ainda hoje o é. Celebro as coisas básicas e vivo muito o presente. Eu continuo com esta doença, mas tenho objetivos a longo prazo, não penso 'quando é que isto vai acabar?' É quando for. Afinal, todos vivemos na incerteza, ninguém sabe o que vai acontecer".

Resta dizer que houve uma outra ovação de pé, desta vez para o coro do Hospital da Luz Lisboa, dirigido pelo maestro Sebastião Peixoto, que encerrou a sessão e encantou o auditório com a sua arte.

O Hospital da Luz Lisboa agradece a participação de todos os oradores e convidados neste evento, bem como a colaboração da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Contamos com todos no próximo simpósio Outubro Rosa, em 2027!

Luz Saúde SA published this content on November 04, 2026, and is solely responsible for the information contained herein. Distributed via Public Technologies (PUBT), unedited and unaltered, on November 04, 2026 at 17:27 UTC. If you believe the information included in the content is inaccurate or outdated and requires editing or removal, please contact us at [email protected]