PCdoB - Partido Comunista do Brasil

09/10/2026 | News release | Distributed by Public on 09/10/2026 15:21

UFRJ entrega diplomas póstumos a vítimas da ditadura, entre elas militantes do PCdoB

Ato de diplomação. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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Se hoje temos democracia no Brasil, foi ao custo da vida de muitos militantes que ousaram lutar contra a ditadura militar (1964-1985). Grande parte desses heróis nacionais que tiveram suas histórias interrompidas estava nas universidades, como alunos e professores.

Como forma de homenagear esses brasileiros e suas famílias, além de lembrar que a luta democrática é coletiva e ininterrupta, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) homenageou e entregou diplomas póstumos a 22 estudantes, dois pesquisadores e um professor que foram vítimas da ditadura. A cerimônia aconteceu na quarta-feira (9), no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, no Flamengo, Rio de Janeiro (RJ).

Entre os homenageados, dez estudantes eram membros do PCdoB (Partido Comunista do Brasil), assim como o pesquisador do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS-UFRJ) Kleber Lemos da Silva e o professor do IFCS-UFRJ Lincoln Bicalho Roque. O docente era dirigente nacional do partido e da União da Juventude Patriótica (UJP), que combateu a ditadura na Guerrilha do Araguaia.

A seguir, a lista de estudantes que receberam o diploma póstumo da UFRJ (em negrito estão os que eram membros do PCdoB):

  1. Adriano Fonseca Filho - IFCS
  2. Ana Maria Nacinovic Correa - Escola de Belas Artes
  3. Antônio Pádua Costa - Instituto de Física
  4. Antônio Sérgio de Matos - Faculdade Nacional de Direito
  5. Antônio Teodoro de Castro - Faculdade de Farmácia
  6. Arildo Airton Valadão - Instituto de Física
  7. Áurea Eliza Pereira Valadão - Instituto de Física
  8. Ciro Flávio Salazar Oliveira - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
  9. Fernando Augusto da Fonseca - Instituto de Economia
  10. Flávio Carvalho Molina - Escola de Química
  11. Frederico Eduardo Mayr - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
  12. Guilherme Gomes Lund - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
  13. Hélio Luiz Navarro de Magalhães - Escola de Química
  14. Jane Moroni Barroso - Instituto de Biologia
  15. José Roberto Spiegner - Instituto de Economia
  16. Luiz Alberto A. de Sá Benevides - Instituto de Economia
  17. Maria Célia Correa - IFCS
  18. Maria Regina Lobo L. Figueiredo - Faculdade de Educação
  19. Mário de Souza Prata - Escola Politécnica
  20. Paulo Costa Ribeiro Bastos - Escola Politécnica
  21. Raul Amaro Nin Ferreira - Escola Politécnica
  22. Sonia Maria de Moraes Angel Jones - Faculdade de Administração e Ciências Contábeis

Também foi homenageado o pesquisador da Faculdade de Engenharia, Raul Amaro Nin, que, assim como Kleber Lemos e Lincoln Bicalho, teve reconhecidos o vínculo e o legado com a UFRJ.

Memória

A entrega dos diplomas pela UFRJ, bem como a realizada por outras instituições, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), é uma forma de reconhecimento às famílias e simboliza que a luta histórica pela democracia continua atual. Ainda mais porque a extrema direita tem por hábito exaltar torturadores desse período nefasto da história nacional.

A secretária estadual dos Direitos Humanos do PCdoB/RJ e membro da Comissão Nacional Memória e Justiça do partido, Dilceia Quintela, esteve presente no ato de diplomação póstuma, junto a outros militantes, e falou sobre esse momento carregado de emoção e que faz refletir sobre os dias atuais: "A maior homenagem que nós podemos fazer a todos esses que deram as suas vidas em defesa da democracia, em defesa da soberania, é não permitir a volta da extrema direita ao poder", afirma.

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Para Quintela, a luta para conter o avanço das forças antidemocráticas encampadas na extrema direita tem como base a defesa da soberania.

"Estamos vivendo essa conjuntura, com esse avanço da extrema direita no Brasil e no mundo. Sabemos, infelizmente, do olho dos Estados Unidos no nosso país, nas nossas eleições. E sabemos que não é só pela questão do petróleo, mas é pela questão das terras raras. Somos o segundo país no mundo com o maior volume de terras raras descobertas até agora", alerta Quintela.

Diplomas

Durante o ato, o reitor da UFRJ, Roberto de Andrade Medronho, ressaltou que a diplomação simboliza o compromisso com a democracia.

"O amanhã depende da nossa coragem de lembrar, da nossa disposição de lutar pelo que acreditamos e, sobretudo, da nossa determinação de defender a democracia todos os dias, para que ninguém se esqueça do que aconteceu", afirmou Medronho.

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O reitor ainda pediu desculpas pela demora da instituição em fazer esse reconhecimento: "Quando pronunciamos os nomes deles e entregamos os diplomas, estamos também contando suas histórias e devolvendo essa memória à universidade. Essa história não pode ser apagada. Eu até peço perdão aos familiares porque isso demorou muito tempo. Esse ato já deveria ter sido realizado há muito tempo".

Em julho deste ano, a universidade já havia entregado o diploma póstumo de bacharel em Ciências Econômicas a Stuart Angel Jones, morto e torturado pela ditadura militar aos 26 anos, em 1971. A irmã, a jornalista Hildegard Angel, recebeu o documento.

Fotos: Rovena Rosa/Agência Brasil

Reparação

Em junho, o governo Lula entregou 95 certidões de óbito corrigidas de vítimas da ditadura. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) viabilizaram a entrega dos documentos às famílias. A retificação é um importante passo para o reconhecimento da responsabilidade do Estado sobre o período e mais um passo em busca de reparação e da identificação e responsabilização dos torturadores.

Desse total de certidões, os familiares de 20 militantes e dirigentes do PCdoB mortos pela ditadura receberam as certidões de óbito corrigidas.

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Entre as 95 vítimas, 12 também fazem parte da lista de homenageados pela UFRJ nesta semana com o diploma póstumo, incluindo Lincoln Bicalho e Stuart Angel.

Segundo o MDHC, 400 certidões já foram corrigidas e 150 foram diretamente entregues aos familiares desde que esse processo teve início em 2024

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