09/10/2026 | News release | Distributed by Public on 09/10/2026 15:21
Se hoje temos democracia no Brasil, foi ao custo da vida de muitos militantes que ousaram lutar contra a ditadura militar (1964-1985). Grande parte desses heróis nacionais que tiveram suas histórias interrompidas estava nas universidades, como alunos e professores.
Como forma de homenagear esses brasileiros e suas famílias, além de lembrar que a luta democrática é coletiva e ininterrupta, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) homenageou e entregou diplomas póstumos a 22 estudantes, dois pesquisadores e um professor que foram vítimas da ditadura. A cerimônia aconteceu na quarta-feira (9), no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, no Flamengo, Rio de Janeiro (RJ).
Entre os homenageados, dez estudantes eram membros do PCdoB (Partido Comunista do Brasil), assim como o pesquisador do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS-UFRJ) Kleber Lemos da Silva e o professor do IFCS-UFRJ Lincoln Bicalho Roque. O docente era dirigente nacional do partido e da União da Juventude Patriótica (UJP), que combateu a ditadura na Guerrilha do Araguaia.
A seguir, a lista de estudantes que receberam o diploma póstumo da UFRJ (em negrito estão os que eram membros do PCdoB):
Também foi homenageado o pesquisador da Faculdade de Engenharia, Raul Amaro Nin, que, assim como Kleber Lemos e Lincoln Bicalho, teve reconhecidos o vínculo e o legado com a UFRJ.
Memória
A entrega dos diplomas pela UFRJ, bem como a realizada por outras instituições, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), é uma forma de reconhecimento às famílias e simboliza que a luta histórica pela democracia continua atual. Ainda mais porque a extrema direita tem por hábito exaltar torturadores desse período nefasto da história nacional.
A secretária estadual dos Direitos Humanos do PCdoB/RJ e membro da Comissão Nacional Memória e Justiça do partido, Dilceia Quintela, esteve presente no ato de diplomação póstuma, junto a outros militantes, e falou sobre esse momento carregado de emoção e que faz refletir sobre os dias atuais: "A maior homenagem que nós podemos fazer a todos esses que deram as suas vidas em defesa da democracia, em defesa da soberania, é não permitir a volta da extrema direita ao poder", afirma.
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Para Quintela, a luta para conter o avanço das forças antidemocráticas encampadas na extrema direita tem como base a defesa da soberania.
"Estamos vivendo essa conjuntura, com esse avanço da extrema direita no Brasil e no mundo. Sabemos, infelizmente, do olho dos Estados Unidos no nosso país, nas nossas eleições. E sabemos que não é só pela questão do petróleo, mas é pela questão das terras raras. Somos o segundo país no mundo com o maior volume de terras raras descobertas até agora", alerta Quintela.
Diplomas
Durante o ato, o reitor da UFRJ, Roberto de Andrade Medronho, ressaltou que a diplomação simboliza o compromisso com a democracia.
"O amanhã depende da nossa coragem de lembrar, da nossa disposição de lutar pelo que acreditamos e, sobretudo, da nossa determinação de defender a democracia todos os dias, para que ninguém se esqueça do que aconteceu", afirmou Medronho.
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O reitor ainda pediu desculpas pela demora da instituição em fazer esse reconhecimento: "Quando pronunciamos os nomes deles e entregamos os diplomas, estamos também contando suas histórias e devolvendo essa memória à universidade. Essa história não pode ser apagada. Eu até peço perdão aos familiares porque isso demorou muito tempo. Esse ato já deveria ter sido realizado há muito tempo".
Em julho deste ano, a universidade já havia entregado o diploma póstumo de bacharel em Ciências Econômicas a Stuart Angel Jones, morto e torturado pela ditadura militar aos 26 anos, em 1971. A irmã, a jornalista Hildegard Angel, recebeu o documento.
Fotos: Rovena Rosa/Agência BrasilReparação
Em junho, o governo Lula entregou 95 certidões de óbito corrigidas de vítimas da ditadura. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) viabilizaram a entrega dos documentos às famílias. A retificação é um importante passo para o reconhecimento da responsabilidade do Estado sobre o período e mais um passo em busca de reparação e da identificação e responsabilização dos torturadores.
Desse total de certidões, os familiares de 20 militantes e dirigentes do PCdoB mortos pela ditadura receberam as certidões de óbito corrigidas.
Entre as 95 vítimas, 12 também fazem parte da lista de homenageados pela UFRJ nesta semana com o diploma póstumo, incluindo Lincoln Bicalho e Stuart Angel.
Segundo o MDHC, 400 certidões já foram corrigidas e 150 foram diretamente entregues aos familiares desde que esse processo teve início em 2024