WHO - World Health Organization Regional Office for Africa

08/19/2026 | Press release | Distributed by Public on 08/19/2026 08:50

Cinco países africanos encerram surtos de poliomielite

Brazzaville - Na sequência de avaliações técnicas rigorosas, cinco países africanos conseguiram travar com êxito a propagação da poliomielite, assinalando um marco importante nos esforços para proteger as crianças contra este vírus e avançar rumo à erradicação.

As equipas independentes de Avaliação da Resposta a Surtos (OBRA) analisaram (entre janeiro e junho de 2026) os dados de vigilância, laboratoriais e epidemiológicos e concluíram que existem dados factuais suficientes de que a transmissão foi interrompida no Burundi, no Gana, na Guiné-Bissau, na República do Congo e no Uganda. Com base nestas conclusões, o Escritório Regional da OMS para a África confirmou o fim destes surtos de poliovírus de tipo 2.

"Pôr fim a estes surtos demonstra o que é possível alcançar através de uma forte liderança nacional, de profissionais de saúde dedicados e de uma estreita colaboração entre os governos, as comunidades e os parceiros," afirmou o Dr. Mohamed Janabi, Director Regional da OMS para a África. "Embora este seja um marco importante, não representa o fim do percurso. A manutenção de uma vigilância epidemiológica robusta e de uma elevada cobertura vacinal, aliada a uma atenção constante, continua a ser essencial para proteger as crianças e prevenir futuros surtos."

O fim dos surtos reflecte anos de liderança governamental sustentada nos cinco países e a dedicação dos profissionais de saúde, comunidades e parceiros. As avaliações da qualidade da resposta a surtos, da imunidade da população, do desempenho da vigilância e das campanhas de vacinação confirmaram a interrupção bem-sucedida da transmissão. No entanto, estas realizações não devem levar à complacência: o risco de reimportação do poliovírus permanece, como demonstrou a recente detecção em Madagáscar após o fim do surto anterior, reforçando a necessidade de manter uma vigilância de alta qualidade e uma forte imunidade da população.

É importante salientar que, apesar dos seus diferentes contextos, os cinco países demonstraram que a detecção rápida, uma forte liderança governamental, uma vigilância sustentada, o envolvimento da comunidade e os esforços de vacinação de qualidade são fundamentais para interromper a transmissão do poliovírus.

Na República do Congo, as autoridades reforçaram a vigilância e implementaram várias campanhas de vacinação de alta qualidade para interromper rapidamente a transmissão após a detecção do vírus. A última detecção foi notificada em Dezembro de 2023, tendo os esforços subsequentes incidido na manutenção da sensibilidade da vigilância e na colmatação das lacunas de imunidade em zonas de alto risco.

No Burundi, onde foi declarado um surto de poliovírus circulante de tipo 2 em Março de 2023, as autoridades de saúde intensificaram rapidamente os esforços de vacinação de rotina e de vigilância, apoiados pela Iniciativa Mundial de Erradicação da Poliomielite (GPEI). As campanhas de vacinação específicas, o reforço das investigações epidemiológicas e a vigilância ambiental alargada ajudaram a interromper a transmissão e a proteger as crianças da poliomielite.

No Uganda, as autoridades sanitárias intensificaram as actividades de vigilância e resposta a surtos após a detecção do poliovírus em Maio de 2024, mantendo simultaneamente uma forte coordenação entre os níveis nacional e subnacional. No Gana, os investimentos laboratoriais complementaram a vigilância de alta qualidade e as actividades de resposta rápida a surtos, reforçando ainda mais a capacidade do país para detectar e responder ao poliovírus. No início deste ano, ambos os países actualizaram a sua capacidade laboratorial, reforçando ainda mais a sua capacidade de detectar e responder rapidamente ao poliovírus e a outras doenças evitáveis pela vacinação.

Na Guiné-Bissau, as autoridades sanitárias e os parceiros focaram-se em chegar às populações mal servidas através de campanhas de vacinação específicas e de uma vigilância reforçada, ajudando a reforçar a imunidade da população e a manter os progressos no sentido da interrupção da transmissão. Este esforço sustentado produziu resultados significativos, não tendo o país registado qualquer detecção de poliovírus desde Julho de 2021.

"Cada surto a que se põe fim significa mais crianças protegidas de uma doença que pode causar paralisia permanente," afirmou Dr. Mike McGovern, Presidente do Conselho de Supervisão da Poliomielite da GPEI e da Comissão Internacional PolioPlus da Rotary International. "A Rotary orgulha-se de estar ao lado dos governos e dos profissionais de saúde em toda a África enquanto continuamos o esforço para acabar com a poliomielite de uma vez por todas."

Como parte de esforços regionais mais amplos, os países reforçaram os sistemas de vigilância da paralisia flácida aguda e da vigilância ambiental, melhoraram a capacidade laboratorial, reforçaram o envolvimento com as comunidades para criar confiança nas vacinas e implementaram campanhas de vacinação específicas destinadas a alcançar todas as crianças, incluindo as que vivem em zonas de difícil acesso e fronteiriças. Em 2025, a Região também acelerou os investimentos na modernização da sua rede de laboratórios para a poliomielite, melhorando a capacidade de diagnóstico e reduzindo os tempos de resposta para a detecção do poliovírus, permitindo uma resposta mais rápida aos surtos e uma acção de saúde pública mais informada. Ao mesmo tempo, a utilização alargada dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e das tecnologias geoespaciais do Escritório Regional para a África ajudou os países a identificar povoações omitidas, mapear os movimentos populacionais, melhorar o microplaneamento e garantir que as equipas de vacinação chegam a todas as crianças.

Numa declaração conjunta, a Dr.ª Etleva Kadilli, Directora Regional da UNICEF para a África Oriental e Austral, e o Dr. Gilles Fagninou, Director Regional da UNICEF para a África Ocidental e Central, afirmaram: "Estes marcos pertencem, em primeiro lugar, aos governos, às comunidades e aos profissionais de saúde da linha da frente que trabalharam incansavelmente para proteger as crianças da poliomielite. A sua dedicação mostra que é possível progredir, mesmo nos contextos mais desafiantes. Embora o fim dos surtos constitua uma conquista significativa, não significa que a missão esteja cumprida. Temos de manter o nosso foco no reforço da vacinação de rotina e em chegar a todas as crianças com intervenções que salvam vidas, de modo a que estes progressos sejam sustentados."

"Este é um desenvolvimento positivo, não só para a luta contra a poliomielite, mas também para os esforços envidados a nível mundial destinados a salvar vidas através do reforço dos sistemas de saúde e de vacinação," afirmou Dr. Thabani Maphosa, Responsável pela Distribuição a Nível Nacional da GAVI. "Os investimentos que os países fizeram para chegar às crianças não vacinadas, o envolvimento da comunidade, o reforço da vigilância, o mapeamento e a resposta a surtos terão um impacto muito além destes surtos de poliomielite. Reforçam a nossa capacidade de garantir que todas as crianças permanecem seguras da poliomielite e de outras doenças evitáveis pela vacinação, e de proteger as comunidades contra surtos de doenças infecciosas."

Os peritos em saúde, a equipa de OBRA e os coordenadores da GPEI no terreno sublinharam a importância de uma abordagem abrangente, combinando uma vigilância reforçada, um envolvimento comunitário de alta qualidade, campanhas de vacinação eficazes e uma resposta rápida a surtos de poliomielite, a fim de lhes pôr termo de forma eficaz. Neste sentido, os países reconheceram as contribuições fundamentais do Canadá, do Banco Europeu de Investimento, da Fundação Gates, da Alemanha e dos Estados Unidos (EUA) da América para os cinco países, para além de todos os doadores da GPEI pelo seu apoio sustentado e generoso aos esforços de erradicação da poliomielite na Região.

O fim dos surtos sublinha a eficácia dos esforços coordenados de resposta e reforça o compromisso da Região em alcançar um futuro livre de todas as formas de poliovírus.

Nota para os editores

A poliomielite é uma doença altamente infecciosa que pode causar paralisia irreversível. Não existe cura, mas pode ser prevenida através de vacinação segura e eficaz.

O fim do surto é uma determinação técnica específica de cada país com base em dados factuais que demonstram que a transmissão associada a um determinado surto foi interrompida.

O processo de pôr fim a um surto inclui uma revisão independente realizada por uma equipa de Avaliação da Resposta a Surtos (OBRA), seguida de uma revisão técnica e de uma decisão por parte do Escritório Regional da OMS para a África.

O fim de um surto não elimina o risco de detecções ou importações futuras. A vigilância, a vacinação e a preparação contínuas continuam a ser essenciais para manter os ganhos e prevenir novos surtos.

A Iniciativa Mundial de Erradicação da Poliomielite é uma parceria público-privada liderada por governos nacionais com seis parceiros - a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Rotary International, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Fundação Gates e a GAVI, a Aliança para as Vacinas. O seu objectivo é erradicar a poliomielite em todo o mundo.

WHO - World Health Organization Regional Office for Africa published this content on August 19, 2026, and is solely responsible for the information contained herein. Distributed via Public Technologies (PUBT), unedited and unaltered, on August 19, 2026 at 14:50 UTC. If you believe the information included in the content is inaccurate or outdated and requires editing or removal, please contact us at [email protected]