PAHO - Pan American Health Organization

06/04/2026 | Press release | Distributed by Public on 06/05/2026 12:07

OPAS reforça preparação nas Américas diante de surto de ebola na África

Washington, D.C., 4 de junho de 2026 (OPAS) - A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) está intensificando seu apoio aos países das Américas para fortalecer a preparação frente ao ebola, após a declaração, por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) em resposta ao surto em curso na República Democrática do Congo e em Uganda. A OPAS trabalha com os países para fortalecer suas capacidades de detecção e prontidão a possíveis casos importados.

Embora o risco de ebola nas Américas permaneça baixo e não tenham sido notificados casos na região, a OPAS ativou seu Sistema de Gestão de Incidentes (SGI) para coordenar as ações de preparação em nível regional. A Organização colabora com os Ministérios da Saúde para reforçar a vigilância, capacidade laboratorial, prevenção e controle de infecções, bem como a coordenação operacional, a fim de facilitar a detecção, isolamento e atenção oportuna aos casos suspeitos.

"Os países das Américas não estão atualmente afetados pelo ebola e o risco para a região continua sendo baixo, mas a preparação é nossa principal ferramenta para garantir uma resposta oportuna", afirmou Ciro Ugarte, diretor de Emergências em Saúde da OPAS. "Mesmo com um risco baixo, os países devem estar preparados para detectar e responder rapidamente a qualquer possível importação, a fim de proteger os trabalhadores da saúde e as comunidades e reduzir o risco de transmissão."

Fortalecimento da preparação na região

Como parte desses esforços, a OPAS, em colaboração com a Rede Global de Alerta e Resposta a Surtos (GOARN), uma rede coordenada pela OMS que reúne instituições técnicas e parceiros para a resposta internacional a surtos, está promovendo intercâmbios técnicos regionais para apoiar os esforços nacionais de preparação.

Uma sessão técnica, organizada pelo Centro de Operações de Emergência (COE) da OPAS e realizada em 3 de junho, reuniu 394 participantes de 30 países da região, incluindo profissionais dos Ministérios da Saúde envolvidos na preparação e resposta ao ebola, assim como representantes de instituições parceiras da GOARN nas Américas. Durante a sessão, foram revisadas ações-chave de preparação, como o diagnóstico laboratorial e a biossegurança, o manejo clínico, a prevenção e o controle de infecções, a evacuação médica e os enterros seguros e dignos.

A sessão contou com 12 palestrantes, painelistas e moderadores da OPAS e da OMS, juntamente com especialistas de universidades e organizações internacionais, entre elas Johns Hopkins e Emory (NETEC), Médicos Sem Fronteiras (MSF), Universidade de Oxford (ISARIC) e Hospital da Universidade de São Paulo, o que reflete uma ampla colaboração técnica para fortalecer a preparação frente ao ebola nas Américas.

Uma sessão de acompanhamento em 10 de junho reunirá Ministérios da Saúde e parceiros da GOARN de toda a região para explorar oportunidades de apoio técnico internacional e mobilização de especialistas das Américas por meio da rede. Também serão destacados o rastreamento de contatos e o uso do Go.Data, uma ferramenta digital desenvolvida pela OMS e pela GOARN para fortalecer a vigilância durante emergências de saúde, incluindo a experiência prática de uso durante a resposta ao sarampo no Brasil e ao ebola em Uganda.

Para apoiar a prontidão operacional, a OPAS publicou uma série de guias técnicos sobre a coleta, manipulação, acondicionamento e transporte seguro de amostras, assim como sobre os procedimentos de processamento e inativação em laboratório. Esses guias oferecem passo a passo e orientações práticas para fortalecer a biossegurança e a capacidade diagnóstica.

Paralelamente, a Organização está preparando o envio de materiais e reagentes para a detecção molecular do vírus Ebola Bundibugyo a países selecionados com a capacidade de biossegurança adequada, de acordo com avaliações de risco.

A OPAS também está facilitando a colaboração internacional para garantir análises laboratoriais oportunas mediante o envio de amostras a laboratórios regionais especializados. Por exemplo, durante um evento em maio, a Organização apoiou o envio de amostras das Bahamas para um Centro Colaborador da OPAS/OMS para Febres Hemorrágicas nos Estados Unidos (CDC, Atlanta), após a identificação de viajantes com histórico recente de permanência em áreas afetadas. Embora ambos os casos tenham resultado negativos para ebola, essas medidas de precaução permitiram que análises críticas fossem concluídas oportunamente.

Além disso, a OPAS está refinando os cenários de risco regionais e apoiando os países no planejamento de insumos essenciais, incluindo equipamentos de proteção individual, materiais laboratoriais e outros itens críticos. A Organização está compartilhando ferramentas para estimar as quantidades e especificações dos insumos necessários em diferentes cenários, como triagem, atendimento de pacientes, limpeza, transporte e enterros seguros. Essas ferramentas contribuem para o planejamento de aquisições e estoques, ao mesmo tempo que promovem medidas eficazes de prevenção e controle de infecções nos serviços de saúde.

Situação na África

Até 2 de junho de 2026, o surto de ebola causado pelo vírus Bundibugyo continua em evolução na República Democrática do Congo e em Uganda.

Na República Democrática do Congo, foram reportados 344 casos confirmados e 60 mortes, além de 116 casos suspeitos em investigação. Casos foram confirmados em várias províncias, incluindo Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul.

Uganda notificou 15 casos confirmados, incluindo uma morte, com casos em dois distritos e relatos de infecções entre profissionais de saúde.

A OMS avalia o risco desse surto como muito alto em nível nacional nos países afetados, alto em nível regional na África e baixo em nível global.

O ebola é uma doença grave transmitida por contato direto com o sangue ou fluidos corporais de pessoas infectadas (com sintomas) ou com materiais contaminados. Embora não existam vacinas ou tratamentos autorizados para a doença causada pelo vírus Bundibugyo, terapia de suporte precoce melhora significativamente a sobrevivência. Medidas de saúde pública, como vigilância, isolamento e atendimento de casos, rastreamento de contatos e engajamento comunitário, continuam sendo essenciais para controlar os surtos.

Medidas de preparação e recomendações sobre viagens

Em consonância com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI 2005), a OMS desaconselha restrições generalizadas a viagens, destacando que podem afetar as respostas e as cadeias de suprimento sem reduzir o risco.

Entre as medidas recomendadas para países não afetados estão melhorar a detecção e o manejo de viajantes com doença febril, fortalecer a comunicação com autoridades de transporte e fronteiras, fornecer informações aos viajantes sobre sintomas e quando buscar atendimento e assegurar a notificação rápida de casos suspeitos.

A OPAS continua trabalhando estreitamente com os países das Américas para apoiar a preparação, fortalecer os sistemas de saúde e facilitar a coordenação com parceiros globais, como parte dos esforços para garantir a prontidão em toda a Região na possibilidade de eventuais casos importados.

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