10/09/2026 | Press release | Distributed by Public on 10/09/2026 13:54
09/10/2026
São Paulo, 09 de outubro de 2026 - Mais de 60 mil crianças e adolescentes brasileiros já possuem investimentos em renda variável e são, na prática, sócios de empresas listadas na bolsa. Dados da B3 mostram que 60,8 mil investidores de até 17 anos mantêm posições em ações, fundos imobiliários, ETFs, BDRs e outros ativos negociados em bolsa, número 58% superior ao registrado em dezembro de 2022. Juntos, eles acumulam aproximadamente R$ 3,5 bilhões em patrimônio aplicado em ativos de renda variável.
O crescimento reflete uma mudança na forma como muitas famílias enxergam a educação financeira e a construção de patrimônio. Em vez de limitar o planejamento financeiro dos filhos à poupança, pais e responsáveis vêm utilizando o mercado de capitais como instrumento de investimento de longo prazo. Na prática, isso significa que uma criança pode se tornar sócia de empresas como Banco do Brasil, Itaú, Petrobras, Vale e Weg antes mesmo de atingir a maioridade.
Além do aumento da base, chama atenção a evolução da participação feminina. Em quatro anos, o número de meninas investidoras saltou 72%, passando de 14,3 mil para 24,5 mil. Entre os meninos, o avanço foi de 50%, de 24,1 mil para 36,3 mil investidores. Embora ainda representem uma parcela menor da base, as meninas vêm ganhando espaço mais rapidamente do que os meninos e já respondem por quatro em cada dez investidores de até 17 anos. Os números indicam que a aproximação das mulheres com o mercado financeiro começa cada vez mais cedo.
"O dado mostra que investir deixou de ser uma conversa restrita aos adultos. Cada vez mais famílias estão incluindo filhos e filhas no planejamento financeiro de longo prazo, muitas vezes antes mesmo da adolescência", afirma Christianne Bariquelli, superintendente de Negócios para Pessoa Física da B3.
A distribuição geográfica acompanha o perfil geral do mercado brasileiro. São Paulo concentra a maior base de investidores menores de idade, com 21,8 mil CPFs, seguido por Rio de Janeiro (5,6 mil) e Minas Gerais (5,3 mil).
Os dados mostram ainda que o interesse dos menores não está concentrado apenas em ações. Entre os produtos mais populares aparecem também os fundos imobiliários (FIIs), ETFs e ativos ligados à diversificação internacional. Ainda assim, as ações seguem dominando a preferência dessa faixa etária: quase 46 mil investidores menores de idade possuem ações, enquanto cerca de 31,5 mil investem em fundos imobiliários.
Entre os investimentos mais presentes nas carteiras dos menores de idade estão empresas tradicionais e amplamente conhecidas das famílias brasileiras, além de fundos imobiliários populares entre investidores pessoas físicas. O perfil sugere uma busca por ativos já consolidados e frequentemente presentes nas estratégias de investimento de longo prazo.
Como transformar um presente em participação em empresas?
Para investir em nome de crianças e adolescentes, é necessário que os investimentos sejam realizados no CPF do menor com o acompanhamento de seus representantes legais. A abertura da conta é feita junto a instituições financeiras habilitadas, mediante apresentação da documentação exigida pela corretora.
Hoje, o mercado oferece alternativas com valores acessíveis, permitindo que pais e responsáveis iniciem a construção de patrimônio de longo prazo desde os primeiros anos de vida. Com planejamento de longo prazo, aportes periódicos e o reinvestimento dos rendimentos, pequenas aplicações podem contribuir para objetivos futuros como educação, intercâmbio, empreendedorismo ou o início da vida financeira adulta.
Títulos públicos também estão no radar do público jovem
No Tesouro Direto, os títulos voltados ao planejamento de longo prazo também já contam com uma presença relevante de investidores mirins. No Tesouro EducA+, criado para estimular a formação de uma reserva para estudos, há 12,9 mil investidores de até 17 anos, com saldo mediano de R$ 2,5 mil. Já no Tesouro RendA+, voltado à construção de renda complementar no futuro, são 6,7 mil investidores nessa faixa etária, que acumulam um saldo mediano de R$ 3,12 mil.