O ministro da Administração Interna quebrou esta terça-feira o silêncio para responder às polémicas que têm marcado a sua tutela, deixando um aviso direto: "Nada disto me vai intimidar ou vai deixar de me fazer governar".As declarações de Luís Neves surgem depois de ter sido questionado pelos jornalistas, na segunda-feira, sobre a ameaça da moção de censura ao Executivo do primeiro-ministro, Luís Montenegro, por parte do Chega. "Se nós não tivermos a resolução desta situação, nós juntar-nos-emos ao apelo que o Presidente da República fez e apresentaremos uma moção de censura na terça-feira no parlamento", referiu André Ventura.
No esclarecimento que fez ao país, em julho, o ministro da Administração Interna quebrou o silêncio em relação às polémicas em torno das obras num monte alentejano feitas por um empreiteiro que trabalhava para a Polícia Judiciária e a movimentação de um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga, feita pelo mesmo empresário. Depois das polémicas relacionadas com a propriedade em Odemira, nos últimos dias vieram a público notícias que referem que Luís Neves dispõe, no ministério, de várias viaturas oficiais topo de gama, de dois motoristas e de quatro elementos de segurança. O governante conduz e leva para casa um carro desportivo apreendido pela Polícia Judiciária, que será o mesmo carro que já usava enquanto diretor-nacional da PJ.De acordo com a Constituição da República, o Parlamento pode votar moções de censura ao Governo "sobre a execução do seu programa ou assunto relevante de interesse nacional", por iniciativa de um quarto dos deputados em efetividade de funções ou de qualquer grupo parlamentar.