Government of Portugal

04/30/2026 | Press release | Distributed by Public on 04/30/2026 11:30

Apagão ibérico teve causas externas e provou que sistema elétrico português é seguro

Um ano após o apagão ibérico de 28 de abril de 2025, o Grupo de Aconselhamento Técnico (GAT), composto por dez especialistas e académicos na área da energia, e criado por indicação da Ministra do Ambiente e Energia, conclui que o sistema elétrico nacional apresenta elevados níveis de segurança e robustez e sublinha a necessidade de investimento contínuo e inovação.

Na apresentação pública do relatório, a 27 de abril, Maria da Graça Carvalho destacou que as recomendações dos especialistas estão alinhadas não só com as medidas que o Governo colocou em prática após o incidente, como com tudo que já vinha a ser feito.

"A maior parte destas recomendações são princípios de boa governação, que sempre usámos. Este [relatório] é aplicado a um dos sistemas elétricos mais complexos que temos. Como qualquer sistema complexo de engenharia, requer uma grande análise técnica e científica que suporte as decisões", afirmou.

Medidas para um sistema elétrico mais resiliente

O relatório define como prioridade a adaptação do sistema a um quadro mais descentralizado, digital e interdependente, com reforço da articulação a nível ibérico e europeu.

Entre as principais conclusões, destaca-se a desadequação face à realidade atual do modelo de governação e regulação, concebido para um sistema "centralizado e pouco digital".

O grupo recomenda maior flexibilidade no planeamento, incluindo a possibilidade de ajustar, adiar ou abandonar investimentos, bem como o reforço da capacidade técnica do Estado e a simplificação dos processos de decisão.

Estabelece domínios prioritários de intervenção: governança e regulação, modelo de planeamento, arquitetura do sistema, requisitos de geração e componentes da rede, digitalização e monitorização, soluções de mercado e serviços de sistema.

Ao nível institucional, propõe a clarificação de competências entre o Governo, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e o operador da rede de transporte, assim como a simplificação do quadro regulatório.

Na arquitetura do sistema, defende o reforço da estabilidade, o controlo dinâmico de tensão e maior capacidade de resposta a perturbações.

Na dimensão tecnológica, recomenda acelerar a digitalização, com reforço da monitorização da rede, desenvolvimento de modelos digitais e promoção da inovação alinhada com padrões europeus.

Medidas já implementadas

Maria da Graça Carvalho, que destacou o alinhamento entre as recomendações e a ação em curso, diz que o documento "vai muito além do apagão", apontando medidas com visão de longo prazo para uma transição energética mais robusta, acrescentando que "algumas delas já estão no terreno".

Desde o apagão, foi reforçada a capacidade de arranque autónomo da rede, passando de duas para quatro centrais com sistema de blackstart, aptas a responder a situações de colapso elétrico.

Três meses após o incidente, foi apresentado um Plano de Reforço de Segurança do Sistema Elétrico Nacional, com 31 medidas distribuídas por áreas como a resiliência da rede, planeamento, renováveis, infraestruturas críticas e colaboração internacional.

Entre os investimentos anunciados, destacam-se 137 milhões de euros destinados a melhorar a operação e controlo da rede, um leilão de 750 Megavolt-ampere (MVA) de serviços de sistema com baterias e 25 milhões de euros para projetos-piloto de autonomia para infraestruturas críticas.

O relatório apresentado marca uma nova fase de transformação, orientada para um sistema elétrico mais digital, integrado e preparado para os desafios da transição energética.

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