06/12/2026 | Press release | Archived content
No quarto aniversário dos assassinatos do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, a RSF apoiou o concurso de jornalismo ambiental lançado em homenagem aos dois. Paralelamente, a organização continua sua incidência junto ao Estado brasileiro pela garantia de proteção a repórteres e defensores na Amazônia e ao combate à impunidade dos crimes cometidos contra eles.
"O quarto aniversário dos assassinatos do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira é, ao mesmo tempo, uma oportunidade para honrar sua memória e um lembrete das responsabilidades que ainda cabem ao Estado brasileiro diante desses crimes bárbaros. As atividades realizadas nesta semana, com a participação da RSF, mostram que o legado de Dom e Bruno, que defenderam a Amazônia, os povos indígenas e o direito da sociedade à informação, continua sendo uma fonte de inspiração. A conclusão da Mesa de Trabalho Conjunta com o Estado brasileiro, no entanto, não deve ser interpretada como uma exoneração total das obrigações do país nessa questão. O diálogo estabelecido deve continuar de forma regular e transparente até que todos os compromissos assumidos tenham sido cumpridos. Os jornalistas continuam em perigo na Amazônia, e as pessoas acusadas dos assassinatos ainda não foram julgadas. A RSF permanece vigilante e espera que todos os responsáveis por esse crime respondam plenamente por seus atos.
Desde sua criação, em 2023, no âmbito das medidas cautelares concedidas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em relação a esse caso, a Mesa de Trabalho Conjunta reuniu diversas instituições públicas e organizações da sociedade civil. O objetivo foi apoiar a implementação de medidas de proteção, responsabilização, reparação e garantias de não repetição em resposta às mortes de Dom Phillips e Bruno Pereira. Esse mecanismo, sem precedentes no Brasil, contribuiu para a elaboração de planos de proteção para defensores do meio ambiente no Vale do Javari, localizado no oeste do estado do Amazonas. Também favoreceu iniciativas relacionadas à memória e à reparação simbólica, além de promover uma melhor coordenação entre as autoridades públicas para o acompanhamento das investigações criminais.
No entanto, desafios importantes persistem. O mecanismo de proteção responsável por proteger jornalistas e defensores no estado do Amazonas, no noroeste do país, ainda apresenta falhas significativas. Além disso, embora ainda não tenha sido definida uma data para o julgamento dos acusados, é necessária maior transparência em relação às investigações e aos processos judiciais em andamento.
Paralelamente, no dia 11 de junho, foi realizada uma cerimônia em Brasília, para premiar os vencedores do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente e dos Direitos dos Povos Indígenas e das Comunidades Tradicionais. Apoiado pela RSF, esse concurso, lançado em 2026 pelo governo, reconheceu um total de 18 trabalhos jornalísticos em seis categorias.
Entre os trabalhos premiados estão, por exemplo, a série de reportagens "Missão Yanomami - Uma união de forças para salvar vidas", produzida pelos jornalistas Aline Diniz e Lucas Moraes e publicada no jornal O Tempo; o trabalho fotográfico "Memória visual do Vale do Juruá: a Amazônia do Acre em tempos de condições climáticas extremas", do fotojornalista Paulo Henrique da Costa Silva; e a série de podcasts "Dois Mundos", publicada pelo jornal Folha de S.Paulo e produzida pelo jornalista Vinicius Sassine.
Como parte das iniciativas que homenageiam a memória de Dom Phillips e Bruno Pereira, a RSF e organizações parceiras irão lançar uma plataforma digital dedicada à preservação de sua história e de seu legado. O projeto é desenvolvido em parceria com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), a organização internacional de defesa da liberdade de expressão e do direito à informação ARTIGO 19, o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI) e o Instituto Dom Phillips.
A plataforma reunirá informações sobre o caso e permitirá ao público acessar as últimas notícias relacionadas à implementação das medidas de proteção, justiça e memória vinculadas a esses assassinatos.
Dom Phillips, jornalista experiente que escreveu para o The Guardian, o New York Times e o Washington Post, estava na Amazônia realizando entrevistas para a produção de um livro sobre a região. Ele foi brutalmente assassinado em 5 de junho de 2022. Estava acompanhado de Bruno Pereira, que havia se afastado temporariamente da FUNAI (Fundação Nacional dos Povos Indígenas, órgão governamental responsável pela proteção dos direitos e interesses dos povos indígenas no Brasil) para trabalhar com a Univaja, uma organização sem fins lucrativos que defende os interesses dos povos indígenas.