01/01/2026 | Press release | Distributed by Public on 01/01/2026 14:58
Boa noite.
Queridos Compatriotas,
2026 - cinquenta anos de Constituição. Quarenta anos de adesão à Europa. Trinta anos de Comunidade de Língua Portuguesa. Que ano, não digo único, mas singular, que hoje começa.
Ano Novo, vida nova - diz o povo.
E, neste início de 2026, é esse o voto de tantos por todo o mundo.
Desejando a paz duradoura na Ucrânia, no Médio Oriente, também no Sudão e em tantos outros conflitos no globo.
Respeitando os valores e princípios da Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional. E respeitando, sobretudo, a dignidade das pessoas.
Um ano com mais desenvolvimento, mais justiça, mais liberdade, mais igualdade e mais solidariedade.
O mesmo desejo vale para nós, vale para Portugal.
Ano novo, vida nova.
Também com mais saúde, mais educação, mais habitação, mais justiça, ainda mais crescimento, ainda mais emprego e menor pobreza e desigualdade. E, sempre, mais tolerância, mais concordância, mais instinto, mais do que instinto, intuição, sentido de coesão nacional.
Com ideias, soluções e pessoas novas.
É essa a natureza e a força da Democracia.
O povo escolhe livremente o que quer e quem quer para o futuro.
Com a esperança de que seja diferente e melhor do que o passado.
Ideias, soluções e pessoas.
E essa é, também, a minha esperança, e digo mais, essa é, mais do que esperança, a minha certeza: melhor futuro do que passado.
Certeza por uma razão decisiva - que se chama Portugueses.
Esses Portugueses que, há quase novecentos anos, nascidos ou acolhidos, cá dentro e lá fora, fazem, todos os dias, Portugal. Tal como os descreveu, agora faz 125 anos, em 1900, o grande escritor Eça de Queiroz.
É dele esse retrato, de cada um de nós, de todos nós, de Portugal. Que ele faz, a propósito, de uma personagem de um romance seu e escreve: "A franqueza, a doçura, a bondade, a imensa bondade. Os fogachos e entusiasmos, que acabam logo em fumo, e juntamente muita persistência, muito aferro quando se fila à sua ideia... A generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios, e sentimentos de muita honra, uns escrúpulos, quase pueris. A imaginação que o leva sempre a exagerar até à mentira, e ao mesmo tempo um espírito pratico, sempre atento à realidade útil. A viveza, a facilidade em compreender, em apanhar... A esperança constante nalgum milagre, no velho milagre d'Ourique, que sanará todas as dificuldades... A vaidade, o gosto de se arrebicar, de luzir, e uma simplicidade tão grande, que dá na rua o braço a um mendigo... Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda e o encolhe, até que um dia se decide, e aparece um herói, que tudo arrasa... Até aquela antiguidade de raça, aqui pegada à sua velha Torre."
E Eça chega ao fim desta descrição e põe na boca de outra personagem a pergunta: "Sabem vocês quem me lembra Gonçalo?" E a resposta é Portugal.
Queridos Compatriotas,
Com qualidades e coragem excecionais, que, de longe, superam os defeitos.
Assim somos há quase novecentos anos. Assim seremos sempre.
Muito boa noite.
Um feliz 2026!