Governo do Estado do Pará

10/29/2026 | Press release | Distributed by Public on 10/29/2026 19:14

Seminário com a Emater conecta povos da Amazônia e políticas públicas

SABERES E TERRITÓRIOS

Seminário com a Emater conecta povos da Amazônia e políticas públicas

Evento apresentará a Carta de Ater, um compromisso de ações e metas, que será encaminhada ao Governo do Pará e ao Governo Federal

Por Governo do Pará (SECOM)
29/10/2026 21h57

Um documento de compromisso de ações e metas compartilhadas, incluindo alertas à sociedade civil e reivindicações ao poder público, será apresentado no último dia do Seminário de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) da Amazônia - Saberes e Territórios, que a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) promovem em Belém, capital do Pará.

Assinada por Emater, instituições parceiras em nível nacional e organizações sociais de agricultores tradicionais, indígenas e quilombolas, a Carta de Ater será encaminhada ao Governo do Pará e ao Governo Federal, e servirá de instrumento imediato de negociação em frentes interessadas e de proposta de embasamento para a formulação e execução de políticas públicas, sobretudo ao longo de 2027.

"É um registro atualizado de demandas, observações e diagnósticos com o objetivo de bem comum, sob a égide de preservação ambiental, respeito e protagonismo dos povos da floresta e importância do Estado na garantia e promoção de cidadania, dignidade e desenvolvimento sustentável", disse a coordenadora Técnica da Emater, veterinária Cristiane Corrêa, especialista em Bovinocultura Leiteira e mestra em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável.

Abertura de mercados

Para três lideranças femininas do Igarapé Baiaquara, município de Acará, na região Nordeste, um dos desafios da existência rural na Amazônia paraense ainda é a "invisibilidade". Segundo ela, "as entidades precisam começar a nos enxergar de verdade, e nossas vozes precisam ser ouvidas, porque o que nos chega de direito real é inexpressivo perto das nossas potencialidades. Se, só com a enxada e o terçado na mão, ferramentas do 'tempo do ronca', já nos destacamos e fortalecemos nossa existência, o acesso a crédito e a tecnologia, e a abertura de mercados somariam muito mais, para que consigamos produzir melhor nos pequenos espaços e com manutenção dos recursos naturais", ressaltou Edenilze Silva, 37 anos, secretária da Associação de Moradores e Agricultores do Igarapé Baiaquara (Amaib).

Ela participou do evento junto com a presidente da Amaib, Sandra Monteiro, e da associada Márcia Monteiro, 39 anos, filha de Sandra. A Amaib foi constituída em 2001, e desde então vem se consolidando como um grupo comandando, em sua maioria, por mulheres. "A gente manda na comunidade, manda na Associação e manda dentro de casa. É o suprassumo do feminismo campesino", disse, em tom de brincadeira, Márcia Monteiro.

Projeto Rural Sustentável

O Seminário de Ater consta de uma programação maior que o IEBS realiza desde terça (27) até sexta-feira (30), no Parque de Bioeconomia, no Porto Futuro II, bairro do Reduto, para a conclusão de quatros anos do cronograma do Projeto Rural Sustentável (PRS) Amazônia no Pará.

A parceria do PRS é com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Governo do Reino Unido e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Todo o conteúdo destes três dias de encontro e interlocução está sendo transmitido ao vivo, com acesso livre e gratuito, pelo canal do IABS no Youtube: youtube.com/iabstv/streams.

Feira solidária

Entre painéis e rodas de conversa sobre temas sensíveis, como "enfrentamento das mudanças climáticas" e "juventude rural", os convidados aproveitam para conhecer produtos da agricultura familiar da Amazônia na Feirinha da Sociobiodiversidade, uma instalação de economia solidária dentro do evento.

Os expositores são 12 empreendedores atendidos pela Emater na Região Metropolitana de Belém (RMB), além de grupos indicados pelo IABS. Biojoias, chocolate caseiro e polpa congelada de açaí podem ser adquiridos junto com a história de ancestralidade e de tradição.

O cacique Jordy Xipaia, 32 anos, de Altamira, Oeste do Pará, contou que as pulseiras, colares e brincos de miçangas ilustram valores sagrados e a simbologia dos animais. "Esta pulseira, por exemplo, é o desenho da casca de jabuti, e o nome 'jabuti' é a tradução do nome da nossa aldeia no idioma xipaya (takurarê)", disse Jordy, apontando para o adorno que carrega no pulso.

Texto: Aline Miranda - Ascom/Emater

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